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EUA: demissões no comando contra Estado Islâmico

O responsável dos EUA na coligação militar contra o Estado Islâmico demitiu-se. Diz que recebeu com “choque” a notícia da decisão de Trump e que parceiros ficaram “confusos” e “desnorteados”.
Fotografia: commons/wikimedia.org
Fotografia: commons/wikimedia.org

Brett McGurk, enviado especial dos EUA para a coligação militar contra o Estado Islâmico, demitiu-se este sábado após Trump ter anunciado a retirada dos 2 mil militares norte-americanos da Síria. Trump afirma que o Estado Islâmico foi vencido.

McGurk diz que recebeu a notícia “com choque” e que os parceiros estão “confusos” e “desnorteados”. As tropas dos EUA estavam a apoiar militarmente os curdos do YPG no combate ao Estado Islâmico.

Através de um email enviado à sua equipa, e posteriormente divulgado pela comunicação-social norte-americana, McGurk afirma que esta decisão de Trump foi “um total revés das políticas que nos foram articuladas”. Trump age, assim, à revelia da sua equipa, instalando o caos políticos entre os seus próprios aliados. Aliás, há algum tempo que ameaçava ir contra o próprio partido e o próprios conselheiros, e concretizou-o agora, indo também contra o Pentágono e aliados europeus.

McGurk já tinha sido nomeado enviado especial em outubro de 2015, pela administração Obama. Permaneceu no cargo durante a administração Trump, ainda que o atual presidente tenha, no decorrer da campanha, criticado dura e constantemente a estratégia de combate ao Estado Islâmico durante a administração Obama. Aliás, Trump chegou a afirmar publicamente que sabia “muito mais sobre o Estado Islâmico do que os generais”.

Esta é a segunda demissão importante na administração norte-americano no decorrer desta decisão, seguindo-se à de Jim Mattis, secretário da Defesa, que afirmou ser importante manter a “solidariedade das nossas alianças”.

Marc Rubio, senador republicano na Flórida, considerou este anúncio de Trump “um grande erro” que, “se não for revertido, vai assombrar esta admnistração e a América durante anos”. Lindsey Graham, senador da Carolina do Sul, afirmou que o Estado Islâmico não foi derrotado e que a decisão de retirada será vista como um incentivo para o seu regresso. Também afirmou que milhares permanecem no terreno e são letais.

Quer ainda saber quais são as estimativas do Pentágono sobre o erguimento do Estado Islâmico e o destino dos aliados curdos após a retirada.

Trump, contudo, não dá quais respostas, afirmando simplesmente que prejudicou “mais o Estado Islâmico do que todos os outros presidentes recentes”.

A retirada destas duas mil tropas podem resultar numa nova realidade geoestratégica na guerra que existe na Síria desde 2011, estimando-se que a Rússia e o Irão possam ganhar com a retirada da Síria, já que poderão tentar preencher o “vácuo secutário deixado pelos EUA no Este da Síria”, de acordo com o Institute For The Study of War.

Também poderá indagar-se sobre o que fará a Turquia, que, após ter feito uma grande ofensiva sobre o noroeste da Síria no início de 2018, se coibiu de alargar até ao noroeste do país devido à presença dos EUA, seus aliados na NATO, e das tropas dos cursos do YPG. Contudo, Erdoğan coloca o Estado Islâmico e o YPG ao mesmo nível: “Nos próximos meses, vamos adotar um estilo operacional direcionado para a eliminação do elementos do PKK-YPG e resíduos do Estado Islâmico”, afirmou Erdoğan na passada sexta-feira.

Entretanto, já Graham veio dizer que os EUA “responsabilizarão a Turquia por quaisquer ações que destruam os aliados curdos da América que lutaram corajosamente contra o ISIS”.

Com sete anos de guerra, registam-se meio milhão de mortos e constantes alterações no mapa político e estratégico da região.

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