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EUA: Agência do Ambiente autoriza utilização de pesticida em 5,6 milhões de hectares

Mais de 40% dos insetos poderão extinguir-se nas próximas décadas. Ainda assim, a Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA) aprovou a utilização de “emergência” do inseticida sulfoxaflor numa área de perto de 6 milhões de hectares.
Foto de Sahaquiel9102 / Wikimedia.

De acordo com a diretora de saúde ambiental e advogada Lori Ann Burd há uma lacuna na lei federal sobre inseticidas, fungicidas e rodenticidas "que permite que entidades e Estados solicitem autorizações especiais para, em caso de emergência, pulverizar pesticidas onde a sua utilização não é legal".

Num comunicado enviado ao EcoWatch, o Centro de Diversidade Biológica explicou que a aprovação inclui “2019 culturas de algodão e sorgo no Alabama, Arkansas, Califórnia, Geórgia, Kansas, Louisiana, Missouri, Mississippi, Tennessee, Texas e Virgínia. Dez dos 11 estados receberam as aprovações por, pelo menos, quatro anos consecutivos para a mesma ‘emergência’. Cinco receberam aprovações por pelo menos seis anos consecutivos”.

Burd avançou que a administração Trump “tem abusado dessa isenção para permitir o uso do pesticida sulfoxaflor numa vasta área ano após ano".

A utilização intensiva de pesticidas tem agravado os riscos que a nossa biodiversidade enfrenta. No caso do Texas, onde foi autorizada a pulverização em 2,3 milhões de hectares, residem mais de 800 espécies de abelhas nativas e oito espécies de zangões. Esta é ainda uma importante rota de migração para as borboletas monarcas.

"Mesmo em doses muito baixas e subagudas, o sufoxaflor terá um efeito muito dramático na reprodução de abelhas", referiu Burd.

"Este não é um problema novo", assinalou, por outro lado, a especialista: "Isto tem vindo a acontecer há seis anos consecutivos e não estamos no governo Trump há seis anos consecutivos". A EPA de Trump faz isto, mas "não é, de forma alguma, um problema novo”, vincou.

Em julho de 2018, o responsável da EPA, Scott Pruit, demitiu-se na sequência de escândalos de promiscuidade com a indústria e viagens de férias pagas pelos contribuintes. Com a demissão de Pruitt, a agência ficou nas mãos do seu adjunto, Andrew Wheeler, um antigo lóbista ao serviço da indústria do carvão e que foi conselheiro de um senador republicano do Oklahoma que nega a existência das alterações climáticas. 

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