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Etiópia: Violação e rapto de mulheres e meninas pelas tropas e milícias no Tigray

Amnistia Internacional destaca que “a gravidade e a magnitude dos crimes sexuais perpetrados são particularmente chocantes; constituem crimes de guerra e possíveis crimes contra a humanidade”. ONG apela a intervenção da comunidade internacional.
Foto de EPA/WFP / LENI KINZLI, agência Lusa.

“É claro que o estupro e a violência sexual têm sido usados ​​como arma de guerra para infligir danos físicos e psicológicos persistentes a mulheres e meninas no Tigray. Centenas foram submetidas a tratamento brutal com o objetivo de degradá-las e desumanizá-las ”, afirmou a secretária-geral da Amnistia Internacional.

De acordo com Agnès Callamard, “a gravidade e a magnitude dos crimes sexuais perpetrados são particularmente chocantes; constituem crimes de guerra e possíveis crimes contra a humanidade”.

“O governo etíope deve agir imediatamente para evitar que membros das forças de segurança e milícias aliadas cometam atos de violência sexual, e a União Africana não deve poupar esforços para garantir que este conflito seja discutido no seu Conselho de Paz e Segurança”, defendeu Callamard.

Além disso, a secretária-geral da Amnistia Internacional exorta as autoridades etíopes a permitirem o acesso à Comissão de Inquérito da Comissão Africana dos Direitos do Homem e dos Povos e o Secretário-Geral da ONU a enviar urgentemente ao Tigray a sua Equipa de Peritos em Estado de Direito e Violência Sexual em Conflitos.

O relatório da Amnistia, com base nos relatos de 63 mulheres do Tigray e profissionais médicos, detalha como as mulheres têm sido rotineiramente submetidas a mutilação, estupro coletivo, escravidão sexual e outras formas de tortura por membros do exército da Etiópia, a Força de Defesa Nacional da Etiópia; as Forças de Defesa da Eritreia, que são aliadas do governo de Ahmed; e combatentes da milícia Fano, de Amhara.

Em maio, uma freira no Tigray disse ao The Guardian que as violações pelas forças de segurança aconteciam diariamente: “O estupro começa aos 8 anos de idade e acaba aos 72 (…) é tão difundido que continuo a vê-lo em todos os lugares, milhares. As violações são em público, na frente da família, dos maridos, na frente de todos. As suas pernas e mãos são cortadas, tudo da mesma maneira”, descrevia.

Os combates na região norte do Tigray começaram em novembro, depois de o primeiro-ministro Abiy Ahmed ter enviado para Tigray o exército federal para afastar as autoridades regionais da Frente de Libertação do Povo Tigray (TPLF). Ahmed disse que se tratou de uma resposta a ataques a acampamentos do Exército Federal, alegadamente ordenados pela TPLF.

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