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ETA começa a desativar armamento

A Comissão Internacional de Verificação do processo de paz no País Basco anunciou que foi testemunha em janeiro da primeira ação de inventariação e desativação das armas em seu poder. A Comissão diz que os governos de Madrid e Paris “sabem o que têm de fazer” para dar continuidade ao processo.
O vídeo com a primeira entrega de armas foi difundido pela BBC.

“Desde que se constituiu esta Comissão [em setembro de 2011], verificámos que a ETA cumpriu o seu compromisso de cessar todo o tipo de assassinatos, atentados, ameaças e extorsão”, diz o comunicado da Comissão Internacional de Verificação (CIV) tornado público esta sexta-feira. O processo acompanhado pela CIV conta com a participação do Governo basco, vários partidos, sindicatos, confederação patronal e igreja basca.

O mais recente passo deste processo foi o início da inventariação e desativação das armas em poder da ETA. Para isso contou com a participação da CIV, que fez deslocar os seus membros a um esconderijo de armas onde foram desativadas 4 armas de fogo, 300 balas e cerca de 16 quilos de explosivos. Sendo apenas uma pequena amostra do armamento da ETA, a gravação em vídeo desta operação pretende assinalar mais um passo em direção à consolidação da paz.

Em conferência de imprensa,Ram Manikkalingam afirmou que a CIV não poderá tornar-se a entidade certificadora do desarmamento da ETA, cabendo essa responsabilidade aos governos espanhol e francês. “Tem de aparecer uma instituição, um governo, que certifique a próxima entrega de armas”, afirmou o chefe da Comissão que já supervisionou o processo de paz no Sri Lanka.

Mas ao contrário do que fez por exemplo o governo de Londres no processo do fim do IRA, o governo do PP espanhol nunca reconheceu a ação da CIV. Reagindo ao anúncio da entrega de armas, que incluiu um vídeo transmitido pela BBC, o ministro do Interior voltou a afirmar que “não nos fazem falta esses verificadores internacionais, não são eles que derrotaram a ETA. Se a ETA quer entregar as armas, basta que nos diga onde estão com uma geolocalização”. O PP está a ser pressionado politicamente pela extrema-direita ligada à Associação de Vítimas do Terrorismo, que o acusa de traição. O surgimento do partido Vox, que ameaça tirar votos ao PP nas Europeias, trouxe mais acusações de que Rajoy tem estendido a “passadeira vermelha” à ETA, o que fez o PP responder com propostas como o acesso gratuito à justiça por parte daquelas vítimas ou a proibição do acesso a altos cargos na administração central de quem tenha sido referenciado com antecedentes ligados ao terrorismo.

Tribunal chama comissários para identificarem membros da ETA

A reação da Audiencia Nacional ao vídeo publicado pela BBC não se fez esperar e o juiz Ismael Moreno convocou para a manhã de domingo os seis membros da CIV para deporem em Madrid, identificando os nomes dos membros da ETA com quem contactaram nos últimos meses para negociar a inutilização de armas e explosivos.    

Segundo a agência EFE, três membros da CIV confirmam que irão a Madrid depôr na Audiencia Nacional. São eles o presidente da Comissão Ram Manikkalingam, o sul-africano Ronnie Kasrils e o britânico Chris Maccabe.

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