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Estudo mostra que há doenças com respostas imunitárias fracas à vacina da covid

Uma investigação britânica está a estudar as respostas de pessoas imunodeprimidas à vacinação. Apesar de alguns grupos terem respostas mais baixas do que a média, os investigadores dizem-se “encorajados” por os números que detetaram não serem mais elevados.
Vacina. Foto de The Focal Project/Flickr.
Vacina. Foto de The Focal Project/Flickr.

Chama-se OCTAVE, Ensaio de Observação das células T na produção de anticorpos e na eficácia da vacina contra o SARS-CoV-2, e é um estudo sistemático, que começou no início do ano, sobre as respostas de pessoas imunodeprimidas a esta vacinação. Os primeiros resultados foram publicados esta segunda-feira na revista científica The Lancet e mostram que alguns grupos de pessoas com certas doenças criam poucos anticorpos mesmo depois de terem sido vacinadas com as duas doses.

No âmbito deste estudo, procedeu-se ao acompanhamento de mais de três mil pessoas, entre as quais doentes renais ou com insuficiência hepática em fase terminal, pessoas com problemas gastrointestinais em terapia imunossupressora, vasculite, artrite reumatoide, cancro e doentes submetidos a transplantes de células estaminais.

Os resultados agora divulgados dizem respeito às respostas de 655 desses indivíduos, 40% dos quais desenvolveram respostas imunitárias abaixo da média e 11% não desenvolveram mesmo quaisquer anticorpos nas quatro semanas posteriores às duas doses da vacina.

As respostas são diferenciadas de acordo com as doenças. 17% das pessoas que sofriam de cancro tiveram resposta baixa à vacinação. Valores próximos dos 21% de doentes a realizar hemodiálise. Mas há outras doenças em que a percentagem de baixas respostas foi muito mais elevada, como os doentes com anticorpos anti-citoplasma de neutrófilos, associados à vasculite, que tomam um medicamento para diminuir linfócitos B, o Rituximab, nos quais a resposta foi baixa em 90% dos casos. Nas pessoas com artrite reumatoide foram 54%, nas que sofrem de insuficiência hepática foram 51%.

Em conferência de imprensa para apresentação destes resultados, citada pela BBC, Ian McInnes, da Universidade de Glasgow e um dos investigadores principais do Octave, lê os números de forma otimista: “apesar de 40% destes grupos de pacientes em risco clínico terem uma baixa ou indetetável resposta imunitária depois da segunda dose da vacina, sentimo-nos encorajados que este número não seja mais elevado”. Para além disso, “é possível que até uma proteção parcial seja clinicamente benéfica e isto é algo que vamos monitorizar de perto.”

E Charles Swanton, do Cancer Research UK, declarou: “sabemos que os resultados podem preocupar aqueles que estão clinicamente vulneráveis, mas quem está a ser sujeito a tratamento ao cancro deve continuar a seguir os conselhos dos seus médicos e encorajamos todos os que possam a vacinar-se.”

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