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Estudo identifica 29 substâncias nocivas em protetores solares para crianças

Um estudo francês de duas ONG’s assinala que nenhum dos 71 protetores solares que analisou está isento de substâncias prejudiciais e que 9 desses produtos têm uma mistura de 10 substâncias problemáticas.
“Mãe e criança”, por Ian BC North/flickr
“Mãe e criança”, por Ian BC North/flickr

Os protetores solares são essenciais para proteger as pessoas, nomeadamente as crianças. Por isso, é ainda mais grave que nesses produtos importantes sejam encontradas substâncias nocivas.

O estudo foi realizado em França por duas organizações não governamentais - WECF (Women Engage for a Common Future) e Agir pour l'Environnement, e está disponível aqui.

O documento aponta que estudou 71 protetores solares para crianças e neles foram encontradas 29 substâncias problemáticas para a saúde. Cinco das substâncias encontradas são “desreguladores endócrinos”, “extremamente preocupantes”.

Nas principais conclusões do documento, destaca-se ainda que nenhum dos produtos analisados está isento de “substâncias mais ou menos preocupantes” e que 9 desses produtos contêm um “coquetel de pelo menos 10 substâncias problemáticas”.

Três dos produtos analisados contêm muitas nanopartículas, mas não indicam esse facto na embalagem e sete substâncias classificadas como “extremamente preocupantes” têm efeitos nocivos em meio aquático.

Segundo o “Jornal de Notícias”, as 29 substâncias químicas identificadas podem afetar o sistema hormonal, o metabolismo e o crescimento das crianças, assim como problemas de fertilidade e alergias.

As duas ONG’s pedem a proibição das "substâncias extremamente preocupantes" desreguladoras do sistema endócrino (hormonal), das nanopartículas e dos ingredientes que dão perfume e têm potencial alergénico, principalmente nos produtos para crianças. Pedem também que a França tenha uma “forte ação” para proteger a saúde das crianças dos “desreguladores endócrinos”, proibindo a sua utilização nos produtos destinados às crianças. E reivindicam que a Comissão Europeia tenha uma “ação rápida” para regulamentar esses 28 “desreguladores endócrinos”.

Em três dos protetores solares foram encontradas nanopartículas não identificadas na embalagem e que podem entrar na circulação sanguínea, nomeadamente dióxido de titânio e óxido de zinco.

Consultada pelo “Expresso”, Susana Fonseca da associação Zero disse que "substâncias como o dióxido de titânio são consideradas cancerígenas quando inaladas". Ao mesmo jornal, o dermatologista Paulo Lamarão desaconselha “o uso de sprays em crianças”, “pela possibilidade de aerossolização e inalação". Recomenda ainda que crianças até aos seis meses não sejam expostas diretamente ao sol nem usem protetores solares.

evitar a exposição solar entre as 11 e as 17 horas e usar chapéu de sol

Outros cuidados muito conhecidos, mas que muitas vezes não são seguidos, são nomeadamente evitar a exposição solar entre as 11 e as 17 horas e o uso do chapéu de sol.

O estudo francês propõe que estes cuidados básicos sejam tidos em particular com as crianças, defende que em relação aos protetores solares para as crianças, não sejam usados os produtos com substâncias “extremamente preocupantes” e que se renove de duas em duas horas a aplicação de creme com índice mínimo de 50.

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