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Estudo alerta para o círculo vicioso entre aquecimento climático e uso de climatização

Um estudo publicado segunda-feira na revista Nature alerta para que o uso crescente de aparelhos de climatização agrava o aquecimento global porque aumenta o consumo de energia, causando assim um círculo vicioso. Prevê-se o aumento destes aparelhos de 1,6 mil milhões para 5,6 mil milhões em 2050.
Ares condicionados no exterior de um prédio em Hong Kong.
Ares condicionados no exterior de um prédio em Hong Kong. Foto de Niall Kennedy

É preciso encontrar alternativas às formas tradicionais de climatização. É o caminho que indica o estudo científico publicado esta segunda-feira na revista Nature Communications que quantifica a forma como o uso crescente de climatização agrava o aquecimento global.

Os investigadores pensam que, se não se encontrarem alternativas energéticas, criar-se-á um círculo vicioso entre o aquecimento climático, que leva ao aumento de consumo de energia devido à utilização de aparelhos de climatização, e o aumento do consumo de energia que, por sua vez, reforçará o aquecimento global.

Com base em projeções de temperaturas, de evolução demográfica e económica, os autores, Bas J. van Ruijven, Enrica De Cian e Ian Sue Wing, calculam que em 2050 o aumento de consumo energético crescerá, no melhor cenário, entre 11 a 27%. No cenário em que o aquecimento global seja mais forte, estes números podem crescem para entre 25 a 58% aumentando muito a emissão de gases com efeito de estufa.

A Agência Internacional de Energia estima que, neste momento, a climatização seja responsável por 10% do consumo elétrico mundial e que os consumos de energia para climatização nas cidades sejam responsáveis por um aumento entre 1 a 1,5 graus de temperatura quando comparados com os das zonas rurais mais próximas.

E a situação pode piorar a breve prazo. Segundo a AIE, o número de aparelhos de climatização deverá crescer de 1,6 mil milhões para 5,6 mil milhões em 2050, o que significa um consumo de energia igual ao consumo total atual da soma de todas as atividades da China.

Enrica de Cian sublinhou à France 24 que, embora o recurso à climatização em países como os Estados Unidos e o Japão se aproxime dos 100%, nas economias emergentes como a Índia, o México e o Brasil há taxas bem mais baixas, o que remete para a possibilidade de um crescimento desse mercado. Cian prevê também um crescimento da climatização nos países do sul da Europa, nos quais fenómenos de calor extremo estão a ser cada vez mais frequentes.

Enrica de Cian diz que “com a repetição dos episódios de canícula, a climatização está em vias de se tornar, em muitos países, não mais um luxo mas um equipamento essencial para uma vida decente”.

Para Cian a solução passa por “pensar em estratégias de adaptação alternativas (zonas verdes, sombras, isolamento)” uma vez que os habitantes das cidades são os mais expostas às ondas de calor devido aos materiais de construção desadequados, à falta de vegetação, à insuficiência de água, aos aparelhos de climatização que têm como consequência aquecer o ar exterior, entre outros fatores.

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