"Fomos confrontados com a tentativa de convocar estivadores do porto de Lisboa para substituir os trabalhadores eventuais em luta no porto de Setúbal. Denunciámos mais essa ilegalidade dentro do Mar de situações com que a ministra Ana Paula Vitorino tem pactuado", refere o comunicado do SEAL, Sindicatos dos Estivadores e Atividade Logística.
Mas para além dos estivadores de Lisboa, também no Porto de Aveiro houve trabalhadores a receberem SMS da respetiva empresa de trabalho portuário, perguntando se estariam disponíveis para “colmatar as falhas no Porto de Setúbal durante 3 dias”. Para além do transporte e dormida, a empresa diz também ter assegurada “escolta de segurança pública” aos trabalhadores que se disponham a furar a greve dos colegas. Quanto ao pagamento por esse serviço, a empresa apenas diz que irá “informar atempadamente”.
“Estes trabalhadores irresponsavelmente usados como carne para canhão, nada têm a ver com o porto de Setúbal, mas para este vão ser conduzidos com o intuito de potenciar conflitos entre trabalhadores”, afirma o Sindicato dos Estivadores e da Actividade Logística (SEAL), acrescentando que esta ação dos operadores portuários se desenvolve em “despudorado e notório conluio com a tutela do sector”.
O SEAL quer saber qual a intervenção do Ministério do Mar neste processo ilegal. “De que vale fazer queixas ao Ministério do Trabalho, à ACT ou à DGERT, se ao lado têm o Ministério do Mar a promover este tráfico de escravos entre Portos?”, questionou o líder do SEAL, António Mariano, em declarações à RTP.
O SEAL pediu ainda à Autoridade para as Condições de Trabalho (ACT) e a Direção-Geral do Emprego e das Relações de Trabalho (DGERT) para que estejam alerta em relação Às irregularidades que possam ocorrer com a eventual substituição dos trabalhadores em greve contra os vínculos precários que se arrastam há mais de uma década no Porto de Setúbal, onde 9 em cada 10 trabalhadores é precário.