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Estados Unidos declaram estado de calamidade, Trump guerreia com cientista

Os EUA são o país mais afetado pela Covid-19, mas o presidente insiste na abertura da economia o mais cedo possível, enquanto partilha no Twitter um apelo ao despedimento do responsável pelo combate à doença.
Anthony Fauci ouve Trump durante a conferência de imprensa sobre a evolução da pandemia, abril de 2020. Foto de KEVIN DIETSCH/EPA/LUSA.
Anthony Fauci ouve Trump durante a conferência de imprensa sobre a evolução da pandemia, abril de 2020. Foto de KEVIN DIETSCH/EPA/LUSA.

Os EUA são agora o país mais afetado pelo novo coronavírus. Nas últimas 24 horas morreram cerca de 1500 pessoas. O total de mortes atingiu assim os 22 mil. Há 560 mil pessoas infetadas. O estado mais afetado é o de Nova Iorque com 200 mil casos e acima das dez mil mortes.

Enquanto os números da tragédia contradizem as declarações de Donald Trump, que anunciara que estes iriam baixar, este abriu uma nova frente de guerra política doméstica. Desta feita contra o imunologista Anthony Fauci, diretor do Instituto Nacional de Alergias e Doenças Infecto-contagiosas dos Estados Unidos e que tem liderado a equipa de combate à Covid-19.

O presidente dos Estados Unidos decidiu partilhar no Twitter, a sua rede social de eleição, uma mensagem em que se apela ao despedimento de Fauci. Se Fauci já se tinha tornado uma das figuras mais conhecidas do momento devido ao seu papel no combate à pandemia, este tuíte de Trump criou instantaneamente uma nova figura nacional: Deanna Lorraine, até agora uma relativa desconhecida candidata californiana à Câmara dos Representantes. A mensagem em questão culpava o imunologista por, alegadamente, dizer até 29 de fevereiro que “não havia razões para nos preocuparmos” porque a Covid-19 “não era uma ameaça para os Estados Unidos”.

As razões da disputa residirão no facto de Fauci se ter distinguido por corrigir as declarações de Trump e, sobretudo, no problema do fim das medidas de confinamento. A extrema-direita republicana apresenta-o como o novo inimigo público número um, culpando-o pela perda de empregos resultante destas medidas. Enquanto o cientista se esforça por fazer passar a mensagem de que não é, de momento, possível apresentar uma data concreta para a reabertura de grande parte das atividades económicas que nunca ocorrerá antes de junho. Por sua vez, o presidente norte-americano tinha anunciado o desejo de “reabrir o país” até à Páscoa, primeiro, defendendo agora a data de 1 de maio para esse efeito.

A mensagem partilhada pelo chefe de Estado dos EUA revela ainda a outra dimensão do braço de ferro político no país acerca do coronavírus. Trump quer fazer valer agora a versão de que avançou com as medidas para combater a doença apesar da oposição da comunidade científica. Fauci limita-se a dizer que deveria ter sido “tudo encerrado desde o início” e que teriam sido poupadas vidas se se tivesse agido antes.

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