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Estado indiano abole as escolas islâmicas

As autoridades de Assam, um estado governado pelo partido nacionalista hindu do primeiro-ministro Modi, justificaram que nestas escolas a educação era má. A oposição diz que é a continuação da perseguição política feita pelo BJP.
Escola em Assam. Foto de Michael Foley/Flickr.
Escola em Assam. Foto de Michael Foley/Flickr.

Na passada quarta-feira, o estado de Assam, no nordeste da Índia, aprovou uma lei que vai abolir a partir do próximo mês de abril as mais de 700 escolas islâmicas da região. A maioria de governo neste estado é do Partido Bharatiya Janata, o partido nacionalista hindu do primeiro-ministro Narendra Modi.

Os responsáveis estatais dizem que fecham estas escolas porque a educação aí promovida é de má qualidade. Mas também não deixam de defender que as escolas deviam formar profissionais e não futuros imãs. É o que diz o ministro da Educação de Assam, Himanta Biswa Sarma, citado pela agência Reuters: “precisamos de mais médicos, polícias, burocratas e professores da comunidade minoritária muçulmana em vez de imãs para as mesquitas”. O governante acrescenta que as madrassas não preparam “para o mundo temporal e as suas preocupações mundanas”.

A oposição não está convencida que a formação das minorias ou a qualidade educativa seja o que move o partido de extrema-direita que governa a Índia. O BJP tem mantido posturas anti-muçulmanas e promovido a discórdia de forma a mobilizar apoios entre a maioria hindu, alegam.

Debabrata Saikia, líder em Assam do maior partido da oposição, e aquele que foi durante décadas o partido de poder na Índia, o Partido do Congresso, afirma, de acordo com a CNN que a intenção é “consolidar mais votos hindus” através de uma “tática de polarização”. Partido do Congresso e Frente Democrática Unida de Toda a Índia abandonaram a discussão da lei em protesto com a medida.

Em Assam, segundo os censos realizados em 2011 pelo governo, a população muçulmana é 34.22% do total. A região foi notícia nacional e internacional o ano passado quando não incluiu dois milhões de pessoas no Registo Nacional de Cidadãos. Para o governo tratava-se de migrantes ilegais provenientes do vizinho Bangladesh. Para a oposição foi mais uma forma de atacar os muçulmanos porque muitas destas pessoas, que vivem na Índia há várias gerações não tinham meio de providenciar a documentação que era requerida pelo governo.

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