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"Está a nascer em Portugal uma grande mudança”

Em Coimbra, Marisa Matias apelou ao voto “consciente” e “exigente”, e sublinhou que “na democracia, não há nada mais precioso do que a decisão do povo”.

Marisa Matias resolveu encerrar a sua campanha presidencial em Coimbra, onde fez um balanço das várias e longas semanas a percorrer o país. “Gente de verdade foi o que eu vi e abracei, gente de democracia que não se queixa do seu país mas que é muito exigente com quem nos governa, muito exigente a defender o seu país e a sua gente”. Segundo a candidata presidencial “está a crescer um movimento popular, uma esquerda de coerência que enfrenta os interesses financeiros e a desigualdade porque não tem medo deles”.

“Estou aqui para lutar contra o desemprego, a precariedade e a pobreza, para fazer frente a quem abusou, explorou e enganou, para dar voz aos trabalhadores e às trabalhadoras, jovens e pensionistas, para que os de baixo sejam vistos, ouvidos e para que a democracia mande”, frisou.

Não aceito que se deite fora uma parte do país para satisfazer os interesses apoiados por Bruxelas

O último discurso de Marisa nesta campanha eleitoral ficou marcado pela reação à mensagem do Banco Central Europeu ao governo, divulgada esta sexta-feira, a determinar que o BANIF fosse entregue ao Santander. Para Marisa Matias “essa mensagem é um manifesto do descaramento”: “aceitaram tudo: o Banco de Portugal negociou, o governo cedeu, o presidente aplaudiu, e tantos candidatos disseram que sim ou calaram-se”. “Eu disse que não e voltarei a dizer que não”, lembrou.

A candidata presidencial afirmou saber do que fala, “sei que é preciso fazer frente ao Santander e à finança, recusar as ordens da Comissão e do Banco Central Europeu, defender os contribuintes e os trabalhadores”. Para Marisa Matias, “a austeridade, a troika e os aumentos colossais de impostos não foram uma fatalidade ou azar”, mas “uma política para tirar a muitos e dar a alguns poucos aquilo que era de todos”, numa economia “virada para a banca”.

“Não aceito que se continue a despejar dinheiro dos impostos nestas aventuras bancárias que já nos custaram 10 mil milhões de euros. Não aceito que se deite fora uma parte do país para satisfazer os interesses apoiados por Bruxelas”, declarou.

Para Marisa Matias, “uma presidente independente é quem sabe fazer frente, quem não desiste nem se cala”, e assegurou que “eu não desisto, eu não me calo, eu não tenho medo”.

A candidata explicou que passou “a campanha toda a falar de felicidade” por ser exigente com o seu país, e “não nos devemos menos do que isso”, depois de tantos anos de sacrificio. Reafirmou o orgulho de fazer parte de um “momento mágico, que é a viragem para a responsabilidade, para uma democracia que abrange em vez de excluir”.

Marisa Matias terminou o seu discurso apelando ao voto, nas eleições do próximo domingo, porque “na democracia, não há nada mais precioso do que a decisão do povo”, e sublinhou que “pela minha parte, cá estarei para dar toda a força a esses votos, a essa decisão. Ser a presidente de todos os portugueses é isso”.

Foto de Paulete Matos

Já Catarina Martins destacou a competência com que Marisa abraça todas as causas, a generosidade “de nunca olhar para o lado em nenhuma circunstância”, a determinação “que poucos têm e que faz toda a diferença ” e a coerência “que não se produz num mês de campanha”. Para a porta-voz do Bloco, foi precisamente essa coerência que a fez dizer, sem qualquer problema, “que subvenções vitalícias são privilégios, e quem aqui se levanta é pelos direitos, e quem é pelos direitos nunca é pelos privilégios”.

Catarina Martins destacou igualmente que Marisa Matias, “no momento em que foi questionada sobre se promulgaria um Orçamento do Estado que assalta o nosso país em nome da banca privada internacional”, foi a única a dizer que não, “que era uma má decisão, e uma má decisão não pode ser assinada de olhos fechados”.

António Capelo: "Marisa Matias é a candidata certa, no lugar certo, no tempo certo"

António Capelo, mandatário nacional da candidatura de Marisa Matias, fez aquilo que, segundo o próprio, nenhum outro mandatário fez: cantou. Cantou a “Utopia” de Zeca Afonso, declamou “Portugal” de Jorge de Sousa Braga, em “duas imagens de um Portugal que já não queremos e de um Portugal para o qual nós avançamos através da Utopia do Zeca Afonso”. Para António Capelo, Marisa Matias “é a candidata certa, no lugar certo, no tempo certo”, pela sua sinceridade, coerência, luta e transparência.

José Manuel Pureza: " A Marisa abriu o caminho para a existência de uma segunda volta"

Para José Manuel Pureza, Marisa foi, nesta campanha, tudo “aquilo que uma Presidente da República tem que ser: uma defensora inequívoca  do país, de quem aqui vive, uma defensora do programa concreto para a democracia, que é a nossa Constituição”. O Vice-Presidente da Assembleia da República considerou ainda que Marisa Matias abriu o caminho para a existência de uma segunda volta nestas presidenciais.

Para o dirigente bloquista, a campanha de Marisa Matias foi ainda "a raiz da evidência de que o feminismo não é coisa de mulheres, é coisa da democracia, e de que o feminismo é um dos discursos mais cruciais da democracia no nosso tempo".

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