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Espanholas solicitam registo de propriedade do seu corpo em protesto contra lei do aborto

Mais de 200 mulheres dirigiram-se às conservatórias de registo comercial de Madrid, Bilbao, Barcelona, Pamplona, Sevilha e Pontevedra para reivindicar a titularidade do seu próprio corpo como forma de protesto contra o anteprojeto de lei do aborto do governo de Mariano Rajoy.

Segundo a artista e ativista madrilena Yolanda Domínguez, que idealizou esta iniciativa, as mulheres espanholas que participaram no protesto queriam certificar de forma oficial que o seu corpo lhes pertence.

"Um grupo de mulheres acorre ao Registo de Propriedade de várias cidades para registar o direito à posse e livre uso do seu próprio corpo. Com o impresso oficial de bens móveis e fartas que os outros decidam por elas, pretendem legalizar e deixar assente que o seu corpo lhes pertence e ninguém deve impedir nem condicionar a sua tomada de posição”, explicou a ativista à comunicação social.

“O corpo é um território de necessária reconquista por parte das mulheres. Um corpo moldado por outros e para outros, convertido em objeto, usado como mercadoria, agredido, manipulado e submetido a estereótipos impossíveis”, avançou Domínguez.

“O nosso corpo é de todos menos nosso e isso não podemos permitir”, referiu a artista, sublinhando que a lei impulsionada pelo ministro da Justiça Alberto Ruiz-Gallardón, que representa um retrocesso de 30 anos, voltando a criminalizar a interrupção voluntária da gravidez, com a admissão de poucas exceções, foi “ a gota de água que fez transbordar o copo”.

Yolanda Domínguez explicou que, em Madrid, o conservador comentou que a sua iniciativa poderia converter-se num precedente legal.

Já em Bilbao, e segundo esclareceu May Serrano, membro da plataforma Mulheres Imperfeitas, responsável pela organização do protesto nesta cidade, a petição foi considerada improcedente.

De qualquer maneira, Serrano frisou que o objetivo foi cumprido. “Procurámos dar visibilidade ao facto de continuadamente estarem a expropriar os nossos corpos, no marco da reforma da lei do aborto, mas também dentro do marco absoluto da sociedade”, referiu Serrano.

“Às dificuldades para construir livremente a nossa identidade e o nosso corpo soma-se um anteprojeto de Lei do Aborto apresentado pelo ministro da justiça Alberto Ruiz-Gallardón que pretende limitar a capacidade para tomar decisões com respeito à maternidade e à nossa própria moral”, acrescentou.

Para proceder ao registo de propriedade, as ativistas tiveram de descrever o objeto em causa. “O meu corpo é grande e maravilhoso. Funciona na perfeição, encanta-me o seu cheiro. Tem duas pernas, dois braços, um útero, dois ovários [...]”, escreveu nos formulários uma das ativistas espanholas que participou na iniciativa em Bilbao.

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