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Espanha segue para quarta eleição em quatro anos

Felipe VI decidiu não propor Sánchez como candidato a formar governo no Estado Espanhol, estando prestes a dissolver o parlamento e marcar novas eleições para 10 de novembro – as quartas em quatro anos.
Espanha segue para quarta eleição em quatro anos
Pedro Sánches e Carmen Calvo. Foto de Congresso dos Deputados.

Felipe VI decidiu não propor Pedro Sánchez, líder do PSOE, como candidato a ser reconduzido como primeiro-ministro do Estado Espanhol, estando prestes a dissolver o parlamento e marcar novas eleições.

Em comunicado divulgado pela Casa Real espanhola e dirigido a Meritxell Batet, presidente do Congresso, e após conversações com quinze líderes partidários, Felive VI nota que “não existe um candidato com os apoios necessários” e por isso “não formula uma proposta de candidato” a primeiro-ministro.

Se, tal como parece, a situação se mantiver igual, Felipe VI é constitucionalmente obrigado a dissolver o parlamento a marcar novas eleições – as quartas em quatro anos. A instabilidade política em Espanha dura desde dezembro de 2015.

Em caso de novas eleições, as sondagens apontam para uma subida nas intenções de voto do PSOE e do PP. Contudo, apontam igualmente para o continuar da dificuldade em formar governo, uma vez que não existiria uma clara maioria de partidos tanto à esquerda quanto à direita.

As últimas legislativas tiveram lugar há cinco meses e foram ganhas por Pedro Sánchez, líder do PSOE. Depois de no passado mês de julho o parlamento ter chumbado uma tentativa para ser investido, passado um mês e meio Sánchez continuou sem conseguir os apoios necessários à sua investidura.

O líder do PSOE responsabilizou o líder do Podemos, Pablo Iglesias, e do Cidadãos, Alberto Rivera, pela falha em conseguir uma solução de governo. Sánchez defendia uma solução semelhante à atualmente encontrada em Portugal: um governo composto exclusivamente pelo PSOE com acordo parlamentar; já o Podemos defende uma coligação governamental.

Pedro Sánchez afirmou ter tentado, mas que as “forças conservadoras” e “uma força política de esquerda” tomaram a decisão de “bloquear a formação do Governo que os espanhóis reclamaram”, aproveitando para, perante o cenário de eleições em 10 de novembro, pedir “uma maioria clara”, cita a agência Lusa.

“Iglésias vai a caminho de um recorde: é a quarta vez que o Unidas Podemos impede um governo progressista”, afirmou. Em resposta ao fracasso das negociações, Pedro Sánchez dá por certa a ida para eleições: “pedimos aos espanhóis uma maioria clara em 10 de novembro”.

Já Pablo Iglésias fez questão de afirmar que “Pedro Sánchez tinha um mandato para formar governo. Não quis. A arrogância e o desprezo pelas regras básicas de uma democracia parlamentar sobrepuseram-se à sensatez (...) Nas últimas horas, vimos uma coisa: o PSOE prefere o Cidadãos.”

Nas últimas eleições legislativas, o PSOE obteve 123 deputados (28,68% dos votos), o PP 66 (16,70%), o Cidadãos 57 (15,86%), a coligação Unidas Podemos 42 (14,31%) e o Vox 24 (10,26%). Os restantes deputados foram eleitos em listas regionais, com partidos nacionalistas e independentistas.

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