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Espanha em suspenso do jogo das alianças políticas

O governo espanhol está pendente de negociações entre Unidas Podemos e PSOE que insiste em governar sozinho. Localmente, os socialistas viram-se para a direita na tentativa de governar em várias comunidades e autarquias. Carmena e Colau também buscam agora o voto dos Ciudadanos para se manter no poder.
Comício de Ada Colau. Foto de Barcelona en Comú /Flickr

Sem maiorias absolutas nas eleições espanholas é a vez das negociações a vários níveis. As legislativas de 28 de abril continuam sem desembocar num governo. A formação política Unidas Podemos insiste em entrar no executivo para desbloquear a situação. Mas os seus votos no parlamento não são suficientes para investir o governo de Pedro Sánchez que não parece nada disposto a partilhar o poder. O PSOE mantém-se intransigente na fórmula de fazer “um governo liderado pelo Partido Socialista, aberto e progressista, incorporando independentes de reconhecido prestígio”.

Daí que na troca de galhardetes pós-eleitorais, Pedro Sánchez tenha disparado que Pablo Iglesias devia reconsiderar a intenção de entrar num governo de coligação devido aos fracos resultados nas europeias, autonómicas e locais e este tenha ripostado que “os resultados das eleições gerais continuam a ser os mesmos.”

A resposta à intransigência socialista está a abrir brechas na coligação Unidas Podemos. A Esquerda Unida manifesta a intenção de aceitar um acordo sem integrar o governo de forma a impedir novas eleições ou um acordo do PSOE nacional com a direita. O Podemos joga mais duro e parece disposto a dificultar o mais possível a investidura de um governo minoritário de Sánchez.

Ciudadanos: cordão sanitário ao PSOE ou ao Vox?

E a constituição de governos locais na sequência das eleições regionais e autárquicas do passado domingo revela-se um puzzle ainda mais complexo que este. Ou, melhor, um conjunto de puzzles. Se antes das eleições o Podemos sonhava ser a chave da governação em várias autonomias e autarquias, a sua derrocada eleitoral e das suas confluências comprometeu fortemente esse intento.

O PSOE, confrontado com a probabilidade assumida de alianças entre a direita e extrema-direita mesmo onde tinha ficado à frente nas votações sem maiorias absolutas, apressou-se a lançar o repto ao Ciudadanos de levantar o seu “cordão sanitário” face aos socialistas. Uma tentativa de pressionar para impedir a ascensão da extrema-direita a cargos em vários executivos locais importantes que vai ao ponto do partido ter anunciado a criação de uma comissão nacional para analisar as propostas de governo das várias federações excluindo à partida apenas as coligações com os independentistas.

Nas comunidades de Madrid, Castela e Leão e Aragão, um acordo entre PSOE e Ciudadanos é a única forma de impedir governos liderados pelo PP e com o Vox com uma forte posição negocial dentro deles.

O cambio vai ficar laranja?

A indecisão regressa também às duas “capitais do cambio”, Madrid e Barcelona, que tinham sido dadas como perdidas para a esquerda tanto por Manuela Carmena como por Ada Colau. Agora, no novo jogo das alianças, ambas podem ainda sobreviver no poder.

Em Madrid a soma entre a direita e a extrema-direita era suficiente para assegurar um governo local. E Carmena começou por dar de barato essa derrota na noite eleitoral. Agora mudou de ideias e vai tentar ainda a investidura. Se contar com os votos ou a abstenção do Ciudadanos, voltará à presidência da Câmara da capital espanhola. Desta feita com um arco de apoios muito diferente.

Em Barcelona, o independentismo da ERC limitava à partida o seu leque de alianças. E Manuel Valls, que concorreu junto com o Ciudadanos, baralhou ainda mais as contas políticas da capital catalã. Em conferência de imprensa ofereceu os seus vereadores “sem condições” a Ada Colau considerando que tem de escolher “o menos mau” de forma a impedir o independentismo de governar a câmara.

Nacionalmente não há qualquer vontade de que o Barcelona en comú governe Barcelona. O partido socialista ao nível nacional coloca a situação num impasse dizendo que não apoia um governo de independentistas nem um de “condescendentes com os independentistas”, fórmula que incluiria Colau. Fórmula parecida utiliza o Ciudadanos nacional que não concorda com Valls: querem “impedir que haja um alcaide independentista ou populista”.

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