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Escritores africanos exigem justiça face aos assassinatos raciais nos EUA

Em carta aberta, mais de uma centena de escritores, vários de língua portuguesa, insistem em dizer que, para além de escrever, também erguem “os punhos em solidariedade com todas as pessoas que recusam o seu silenciamento”.
O escritor angolano Ondjaki é um dos subscritores da carta aberta solidária com os afro-americanos. Foto da Universidade de Guadalajara/Feira do Livro de Guadalajara/Flickr.
O escritor angolano Ondjaki é um dos subscritores da carta aberta solidária com os afro-americanos. Foto da Universidade de Guadalajara/Feira do Livro de Guadalajara/Flickr.

A carta intitulada “Autores Africanos Sem Fronteiras solidários com os cidadãos afro-americanos” é assinada por 106 escritores africanos.

Alguns deles são mais conhecidos dos leitores portugueses por escreverem em português, serem publicados no nosso país e marcarem até presença em tops de vendas como José Eduardo Agualusa, Ondjaki, Grada Kilomba e Pepetela. Muitos outros sê-lo-ão menos aqui, uns mais noutras paragens, outros menos populares: Chris Abani, Ali J Ahmed, Leye Adenle, Júlio de Almeida, Sefi Atta, Tanella Boni, Bouba, Filinto Elisio, Kalaf Epalanga, Ubah Cristina Ali Farah, Carlos Monteiro Ferreira, Virgilia Ferrão, Chimeka Garricks, Kadija George, Francisco Guita Jr, Tamanda Kanjaye, Nick Maoha, José Luís Mendonça, Amna Mirghani, Yara Monteiro, Richard Ali Mutu, Abreu Paxe, Mbate Pedro, Jorge Querido, Lemya Shammat e Kola Tubosun.

Juntam as suas vozes para condenar os assassinatos de motivação racial nos Estados Unidos e apoiar quem protesta contra eles. O pretexto é o esperado: o assassinato de George Floyd, cujo pescoço foi esmagado por um polícia. O ato, filmado, deu origem a protestos que, depois de terem mobilizado pessoas em todos os EUA, se espalham agora por vários pontos do mundo.

Mas não esquecem os nomes de mais de 70 outros afro-americanos mortos devido à cor da pele. Aqueles de que sabe pelas notícias . Para além de “tantos outros nomes, conhecidos e desconhecidos, que representam seres humanos semelhantes a nós. Nosso sangue”.

A carta tem vários destinatários: desde aqueles que são considerados “nossos irmãos e irmãs nos Estados Unidos” aos quais asseguram estar “do vosso lado”, até “a todos os seres humanos decentes” que se devem unir a estes.

À União Africana dão o recado que “pode e deve fazer melhor”, apesar de reconhecerem que deu um passo em frente com “a condenação da União Africana do terrorismo contínuo do governo dos Estados Unidos da América contra todas as pessoas afro-americanas”.

A cada um dos governos africanos solicita-se não só que “reconheçam a aliança e ligações com irmãos e irmãs além-fronteiras, dos Estados Unidos da América ao Brasil e por toda a diáspora” mas ainda que “seja oferecido a quem o escolher: refúgio, lares e cidadania em nome do pan-africanismo”.

Como não podia deixar de ser, dirigem-se ainda aos EUA. Às suas instituições jurídicas exigem que “investiguem – independentemente – todas as mortes por polícias e qualquer queixa contra a violência policial” e que os acusados sejam suspensos “sem pagamento até que um julgamento justo liberte estas pessoas das acusações de que são alvo”.

Ao conjunto do país podem que “sejam corajosos o suficiente para aderir à sua própria declaração de direitos, para que possa ser uma terra de liberdade para todas as pessoas americanas, independentemente da sua cor, credo, classe, orientação sexual”.

Juntando-se ao slogan “Black Lives Matter” fazem ainda questão de recordar que, para além de escreverem, também erguem “os punhos em solidariedade com todas as pessoas que recusam o seu silenciamento”.

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