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Escalada de violência na Ucrânia

Confrontos entre autoridades e manifestantes anti governo tomaram conta de Kiev, registando-se o dia mais violento dos últimos 70 anos. Na Praça da Independência estavam concentradas ao final da noite de terça feira cerca de 35 mil pessoas, rodeadas por 10 mil polícias. Já foram contabilizadas centenas de feridos e mais de duas dezenas de mortos. Última atualização às 10h50 de 19/02/2014.
Foto de SERGEY DOLZHENKO, Lusa/EPA.

Os confrontos tiveram início na manhã desta terça feira quando um grupo de manifestantes tentou dirigir-se para o Parlamento, onde deveria ter lugar a discussão de uma alteração à Constituição, que não chegou a acontecer.

As autoridades lançaram, entretanto, um ultimato, exigindo que os manifestantes, que entretanto se foram concentrando na Praça da Independência, abandonassem este espaço até às 18h locais, o que não se verificou.

A polícia utilizou megafones para ordenar aos manifestantes que se retirassem desta praça, anunciando que iria dar início a uma “operação anti-terror”. Em resposta, os manifestantes entoaram slogans como “Glória à Ucrânia” e “Morte aos inimigos”.

O espaço acabou por ser invadido pelas autoridades que utilizaram canhões de água, balas de borracha e gás lacrimogéneo, ao que os manifestantes responderam com o lançamento de pedras e cocktails molotov.

Na Praça da Independência estavam concentradas no final da noite de terça feira cerca de 35 mil pessoas, rodeadas por 10 mil polícias.

Número de mortos e feridos em atualização

De acordo com uma declaração emitida pelo Ministério da Saúde ucraniano, “pelas 23h locais [de terça feira], 221 pessoas tinham procurado assistência médica, 114 das quais foram hospitalizadas. Registaram-se 11 mortes”.

Segundo a Russia Today, sete agentes policiais também morreram na sequência dos confrontos, apresentando feridas de bala, o que elevaria o número de mortos para 18. O Ministério do Interior deu ainda conta que 135 polícias necessitaram de assistência médica, 35 em estado grave.

Os hospitais de Kiev não têm conseguido dar resposta a todos os feridos, existindo uma lista de espera para as salas de operação.

Mediante o caos que se instalou na capital da Ucrânia, dificilmente são avançados dados fidedignos quer do número de mortos como de feridos, sendo apenas expectável que este venha a aumentar consideravelmente. Na manhã desta quarta feira, a BBC já dava como certa a morte de 25 pessoas.

O ministro do Interior, Vitaliy Zakharchenko, já veio assegurar que a polícia não está a utilizar armas de fogo, apenas "equipamentos especiais para o disparo de balas de borracha", avança a BBC.

Chamas, destruição e caos

Um grupo de manifestantes invadiu a Embaixada do Canadá em Kiev, provocando alguns estragos e atacando os trabalhadores no local.

Cerca de mil manifestantes tentaram tomar de assalto uma esquadra da polícia, utilizando um aparelho explosivo. Carros e ambulâncias têm sido utilizados para bloquear as estradas ou furar os cordões policiais. Vários escritórios foram destruídos.

O quartel-general dos manifestantes anti governo na Praça da Independência em Kiev ainda se encontra em chamas, segundo informa a France Presse.

Os organizadores "radicais" deste protesto, citados pela agência de notícias Itar-Tass, já anunciaram uma nova mobilização para a Praça da Independência, apelando a que as pessoas "tragam para as barricadas tudo o que possa arder e reforçá-las. "Isto não é um comício, isto é uma confrontação militar organizada", frisaram.

Já o presidente ucraniano apelou esta manhã à oposição que se demarque dos "manifestantes radicais" que estão a espalhar uma onda de violência pelo país.

Violência espalha-se por todo o país

Há, neste momento, edifícios ocupados um pouco por toda a Ucrânia.

A violência está a espalhar-se pelo país. Na cidade de Lviv, manifestantes tomaram de assalto o Governo Regional e a sede da polícia, noticia a agência France Presse. Em Ternopol, e segundo avança a RT, o edifício da administração e o departamento da polícia local estão cercados.

Reações internacionais

Segundo o seu porta voz, o secretário-geral da ONU apelou ao governo ucraniano e à oposição para que mostrem contenção e retomem o "diálogo sincero". Ban Ki-moon está “extremamente preocupado” com a escalada de violência no país.

O vice presidente norte americano Joe Bidden, citado pela BBC, expressou a sua “profunda preocupação relativamente à crise nas ruas de Kiev” e apelou ao presidente Yanukovych para que este retire as forças governamentais da Praça da Independência.

Já o ministro dos Negócios Estrangeiros alemão afirmou que “a Ucrânia está a viver horas dramáticas” e que cabe às forças de segurança pôr fim à crise. Frank-Walter Steinmeier sublinhou que a UE pode considerar a imposição de sanções.

Para o ministro para a Europa britânico, a violência “não tem lugar numa democracia europeia”. David Lidington exortou “todos os partidos a retomarem o caminho do compromisso e genuína negociação”.

O primeiro ministro polaco, Donald Tusk, citado pela Reuters, afirmou que irá "falar com os líderes dos maiores países e instituições da UE para persuadi-los a aplicar sanções à Ucrânia.

Segundo avança a AFP, o presidente francês, François Hollande, também já avançou com a possibilidade da aplicação de sanções.

A chefe da diplomacia da União Europeia, Catherine Ashton, afirmou-se profundamente preocupada com a situação e apelou aos políticos para que "combatam as causas profundas" do mau estar.

Numa declaração pública, o Presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, frisou que "foi com choque e desânimo total que temos vindo a assistir a evolução ao longo das últimas 24 horas na Ucrânia. "Não existem circunstâncias que possam legitimar ou justificar tais acontecimentos". "Condenamos nos termos mais fortes o uso da violência como forma de resolver uma crise política e institucional. É a liderança política do país que tem a responsabilidade de assegurar a necessária proteção dos direitos e liberdades fundamentais", avançou Durão Barroso.

A Rússia, por sua vez, atribuiu a violência à "conivência de políticos ocidentais e estruturas europeias" e à sua recusa em considerar as "ações agressivas" de fações radicais dentro do movimento de protesto.  

O ministro dos Negócios Estrangeiros russo afirmou que a Rússia "exige que os líderes da oposição ponham fim ao derramamento de sangue no seu país, retomando imediatamente o diálogo com as autoridades legais, sem ameaças ou ultimatos", alertando que o seu país "usará toda a sua influência para que a paz e a calma possam reinar".

A UE já marcou uma reunião extraordinária dos 28 ministros dos Negócios Estrangeiros para discutir a violência na Ucrânia.

Siga os confrontos na Ucrânia em direto.

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