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Erdogan continua a apertar o cerco à oposição

Depois de prender dez deputados do HDP, incluindo os seus dois líderes, esta sexta-feira a polícia turca prendeu cinco assessores parlamentares do partido e o presidente do maior jornal da oposição.
protesto pela libertação dos deputados do HDP
Foto HDP/Twitter

Em comunicado, o Partido Democrático do Povo (HDP) denunciou as rusgas efetuadas na madrugada de sexta-feira às casas de seis dos seus assessores parlamentares. Um dos alvos das buscas não se encontrava em casa, mas os cinco restantes foram presos e vão permanecer sem direito a advogado durante os próximos cinco dias.

A perseguição ao partido da esquerda que é maioritário junto da população curda e que retirou a maioria absoluta ao AKP de Erdogan culminou no início do mês com a prisão de dez deputados, incluindo os dois co-presidentes do HDP. Em sinal de protesto, o partido anunciou no dia 6 a suspensão da sua atividade parlamentar.

“A forma como foram efetuadas estas prisões devia preocupar todos os que defendem os valores dos direitos e das liberdades democráticas e que acreditam na necessidade de políticas democráticas”, refere o HDP no comunicado desta sexta-feira.

A co-vice-presidente do partido, Meral Danış Beştaş, acusou o governo de estar por detrás das detenções. “É impossivel que oito procuradores diferentes decidam com independência fazer prisões ao mesmo tempo”, diz a deputada do HDP, acrescentando que “ninguém pode dizer que se trata de coincidência”.

As acusações de que são alvo os deputados do HDP prendem-se com alegadas ligações ao PKK, a guerrilha que durante anos lutou com armas pela independência do Curdistão e que encetou negociações de paz com o governo, interrompidas há dois anos. O HDP queixa-se ainda da máquina de propaganda do regime, que eliminou todos os órgãos de comunicação social não alinhados com Erdogan.

“Não conseguimos difundir a nossa palavra e as nossas notas de imprensa estão proibidas. As televisões estão a discutir o HDP sem que estejamos representados”, queixa-se a co-vice-presidente do partido. Por exemplo, um dos argumentos mais apresentados nesses debates para defender a prisão do co-líder do HDP é o perigo de fuga, quando ele tinha regressado de Londres poucos dias antes, acrescenta a deputada.

Numa mensagem enviada a 7 de novembro através dos seus advogados, Selahattin Demirtaş afirmou que tanto ele como os deputados do HDP presos estão a ser “reféns de um golpe de estado civil” levado a cabo pelos que querem “consolidar um regime unipessoal” na Turquia.

“Mesmo estando fechados entre quatro paredes, continuaremos a fazer parte da luta lá fora, com a mesma alegria da interminável esperança da liberdade, nunca esquecendo que estamos todos debaixo do mesmo céu”, acrescentou o co-líder do HDP.

Presidente do jornal Cumhuriyet detido no aeroporto

Outra operação policial turca nesta sexta-feira levou à detenção de Akin Atalay quando chegava ao aeroporto internacional de Istambul, vindo da Alemanha. O presidente do Cumhuriyet, o maior jornal de oposição ao regime, segue os passos do diretor do jornal e de outros oito jornalistas, presos desde a semana passada. São acusados de ligações ao movimento de Fethullah Gülen, apontado como o responsável pelo golpe falhado de 15 de julho, mas também de apoio à guerrilha curda do PKK.

Desde esse dia, ao abrigo do estado de emergência, Erdogan desencadeou uma onda de repressão e purgas que levaram a mais de cem mil saneamentos em todos os sectores da administração pública, dos quais 36 mil estão presos à espera de julgamento. A perseguição à imprensa não alinhada com o partido do poder e do presidente turco intensificou-se, com o encerramento de jornais e estações de rádio e televisão.

 

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