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"Envergonham-me as ausências do PR nas cimeiras climáticas"

Marisa Matias criticou Cavaco Silva por nunca ter representado os nossos interesses em matéria de Ambiente, e apresentou-se como a candidata que quer ser "cúmplice" das lutas e das esperanças de todos os portugueses.
Foto de Paulete Matos

Marisa Matias lembrou, em Coimbra, que “a Constituição é o programa para a nossa democracia”, que “há um país imenso a quem o conteúdo desse programa é quotidianamente negado”, e que é por esse país e por esse programa que se bate. “O meu país é o de uma democracia sempre à procura de se completar, de representar mais gente”, e não o país “dos donos de Portugal” que “têm tido sempre candidatos de serviço para permanecerem donos disto tudo”, frisou.

Precisamos de quem nos represente em todas as instâncias, em todos os momentos, que fale por nós

As questões do Ambiente foram um dos temas centrais desta sua intervenção em Coimbra, tendo sido muito crítica da atuação de Cavaco Silva nesta matéria, ao destacar que este foi um Presidente “que nunca se deslocou a uma cimeira de alterações climáticas para negociar fosse o que fosse”, algo de que se envergonha.

"Nunca pôs um pé em Paris, como nunca pôs um pé em Copenhaga. Nunca quis decidir, nunca quis negociar, porque acha que essas coisas são lá fora, que não acontecem na vida das pessoas. Precisamos de quem nos represente em todas as instâncias, em todos os momentos, que fale por nós", criticou.

Segundo Marisa Matias "é sempre a gente mais pobre que sofre mais com os impactos negativos e as ameaças que são feitas ao Ambiente" e garantiu que enquanto Presidente será "absolutamente intransigente na defesa de um estado democrático, social de direito, ambientalmente justo".

Quero ser cúmplice das lutas e das esperanças dos portugueses

A candidata defendeu que “há muito mais a falar nesta campanha”, mas que “nunca digam que não há política nas presidenciais”, lembrando que “só há política” e a questão ambiental é umas delas. Marisa afirmou que se apresenta “com escolhas claras”, e que essa escolha é a do "país dos mais pobres, das vidas precárias, daqueles e daquelas a quem a austeridade roubou dignidade e direitos".

João Semedo: "Se Marcelo chegar a Belém é a conspiração política que se instala em Belém”

João Semedo. Foto de Paulete Matos

Uma das surpresas da noite, neste comício em Coimbra, foi a presença de João Semedo, antigo coordenador do Bloco de Esquerda, que avisou que “se Marcelo chegar a Belém é a conspiração política que se instala em Belém”. Advertiu que se Marcelo ganhar irá “presidencializar o sistema e o regime para que Belém passe a ser aquilo que não é” ao “reconstruir um novo bloco social e político capaz de salvar a elite que tem dominado este país”. Lembrou que Marcelo faz parte dessa “elite que sente que tem os dias contados” e Marcelo será a “tábua de salvação” das “tias e tios à beira de um ataque de nervos”.

Para José Manuel Pureza, Vice-Presidente da Assembleia da República, “esta política despolitizada que está a acontecer nesta campanha, pela maioria dos candidatos, é o embuste da política e a infantilização da cidadania”, e realçou que Marcelo Rebelo de Sousa é “catedrático” desse “esconder das escolhas”. Para o dirigente bloquista, Marcelo “passou anos a fio como comentador, fabricante de intriga e de factos políticos, e fez isso tudo fingindo sempre que não estava a escolher”, quando na verdade “escolheu sempre estar do lado dos donos de Portugal”.

Virgínia Ferreira: “A igualdade não é para usar e deitar fora”

Virgínia Ferreira, professora da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra, teceu duras críticas a Maria de Belém, a quem não perdoa “pelo facto de se ter disponibilizado para o papel triste de ser Ministra da Igualdade durante seis meses, só para receber os seus congéneres europeus durante a Presidência portuguesa da União Europeia, em 2000, e terminada a presidência terminou o Ministério da Igualdade”. “A igualdade não é para usar e deitar fora”, sublinhou. Para a professora universitária seria “bom eleger uma mulher para Presidente da República mas não uma mulher qualquer”, e considerou que Marisa Matias “tem provado ser a mais capaz” por “visibilizar as periferias, sejam elas sociais ou políticas”.

Boaventura Sousa Santos. Foto de Paulete Matos.

Já Boaventura Sousa Santos mostrou-se “absolutamente convicto” que “Marisa será a melhor Presidente do país em muito tempo”, e destacou que a sua candidatura tem a característica rara em Portugal de “combinar a juventude com a experiência”. “Há pessoas que excepcionalmente conseguem na sua vida ainda de jovem ter uma experiência tão extraordinária quanto a da Marisa”, realçou. Para o sociólogo “é fundamental que tenhamos em mente a dimensão internacional da Marisa, que é uma dimensão de experiência e que será absolutamente crucial nos momentos que se aproximam na política portuguesa”.

Shahd Wadi: "Orgulho-me de dizer que a Palestina tem sido uma das suas causas"

Por sua vez Shahd Wadi, ativista luso-palestiana, lembrou a luta de Marisa  pela suspensão de acordos de associação europeus com Israel e o corte do apoio à indústria militar e admitiu orgulhar-se “de dizer que a Palestina tem sido uma das suas causas”.

O comício decorreu no Pavilhão Centro de Portugal, em Coimbra, e contou ainda com uma atuação musical dos Seiva.

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