You are here

Ensino Superior com pré-aviso para a greve feminista

O SNESup anunciou que, tal como já o fizera o SIEAP, vai apresentar um pré-aviso de greve para o dia 8 de março. No setor da Ciência e do Ensino Superior as assimetrias “são muito significativas” e agravam-se nos lugares cimeiros das carreiras.

No dia em que a rede 8 de março apresenta o manifesto 8M, o SNESup informa que emitiu um pré-aviso de greve para o 8 de Março, o Dia Internacional da Mulher, uma data em que organizações feministas de vários países convocam uma greve feminista. O sindicato diz que este pré-aviso permitirá que mulheres e homens façam greve neste dia e participem nas iniciativas marcadas para, até agora, nove cidades portuguesas.

No comunicado em que fundamenta a sua decisão, este sindicato lembra que, no setor do ensino superior e ciência, há “assimetrias” entre mulheres e homens que “são muito significativas”. Apesar de maioria do doutoramentos serem feitos por mulheres (54%, segundo dados de 2016), a maior parte dos docentes e investigadores empregados no ensino superior continua a ser de homens. Uma assimetria que cresce nos patamares mais elevados da carreira: entre os professores catedráticos apenas 22,9% são mulheres, enquanto entre os professores coordenadores existem 46,6% de mulheres. Apenas três universidades têm uma reitora e um instituto politécnico tem uma mulher como presidente.

Em Portugal a greve feminista é convocada pela Rede 8 de Março que, no manifesto de convocatória, defende: “somos herdeiras das lutas feministas e das resistências operárias, anticoloniais e antirracistas. Reclamamos o património das lutas pelo direito ao voto, ao trabalho com salário, a uma sexualidade livre e responsável, à maternidade como escolha, à habitação, à educação e saúde públicas.”

O Manifesto 8M vai ser apresentado esta terça-feira em frente ao Tribunal de Vila Real, depois de ter sido aprovado por diversos núcleos como Amarante, Aveiro, Braga, Coimbra, Covilhã, Évora, Fundão, São Miguel, Viseu, Lisboa, Porto e Vila Real.

A rede 8 de março sublinha a persistência de violência, desigualdade e preconceitos. Continua a cultura de assédio “no espaço público e no local de trabalho” e a enorme quantidade de vítimas de violência doméstica. Por isso, denuncia-se a “justiça machista” que “fundamenta as suas decisões em preconceitos”.

Com esta greve, as feministas pretendem dizer basta. “Basta de desigualdade no trabalho assalariado”, “basta de desigualdade no trabalho doméstico e dos cuidados”, “basta de guerra e de perseguição às pessoas migrantes”, “basta de reprodução das desigualdades e do preconceito nas escolas”, “basta de estereótipos e de incentivos ao consumo”, “basta de destruição ambiental”.

Por isso, “no dia 8 de Março faremos greve ao trabalho assalariado, ao trabalho doméstico e à prestação de cuidados, ao consumo de bens e serviços e greve estudantil”, afirmam.

Sindicatos na greve feminista

Para além do SNESup, também o SIEAP, Sindicato das Industrias, Energia e Águas de Portugal, tinha apresentado antes um pré-aviso de greve. E, segundo as organizações feministas outros sindicatos podem seguir o mesmo caminho estando-se  ainda em “conversações” com estes.

Além disso, a Rede 8 de março marcou um debate com sindicalistas para o próximo dia 22 de fevereiro em Lisboa com Verónica Castro, Enfermeira, Bárbara Góis, Operadora de Call-Center/STCC, Aurora Lima, Professora/STOP e Rita Penim do SIEAP.

E está também a ser preparado um comunicado conjunto de trabalhadoras de vários setores de apoio à greve feminista internacional.

Termos relacionados Greve feminista, Sociedade
(...)