Enfermeiros das urgências das Caldas da Rainha recusaram passagem de turno

11 de November 2021 - 16:45

A situação no hospital é descrita como “calamitosa”. Faltam profissionais, há pessoas internadas em macas e cadeirões nos corredores sem o mínimo de condições enquanto há obras no local. Exige-se a contratação urgente de mais profissionais.

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Enfermeiros das urgências do Hospital das Caldas da Rainha em protesto. Foto de Carlos Barroso/Lusa.
Enfermeiros das urgências do Hospital das Caldas da Rainha em protesto. Foto de Carlos Barroso/Lusa.

Duas dezenas de enfermeiros do serviço de Urgência do Hospital das Caldas da Rainha recusaram-se esta quinta-feira a fazer a passagem de turno, tendo realizado em seguida uma concentração de protesto. Estes profissionais denunciam assim a sobrelotação deste serviço e exigem a contratação de mais profissionais.

Ivo Gomes, o delegado sindical do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses nesta unidade de saúde, conta à Lusa que “a falta de enfermeiros nas urgências é um problema recorrente, que tem sido várias vezes denunciado à administração e que continua sem resolução, pelo que hoje foi decidido avançar com esta forma de protesto”.

O enfermeiro denuncia que há apenas “uma média de 16 ou 17 doentes para cada profissional”, o que impede “a garantia de uma assistência em condições aos doentes, muitos dos quais ficam na Urgência, em macas, por 24 ou 48 horas, sem serem transferidos para outros serviços”.

A “situação calamitosa” é descrita com mais detalhe à TVI por Marta Duarte, também enfermeira sindicalizada: há quatro enfermeiros para 60 doentes deitados, “o normal é estarem sempre mais de 15 doentes por enfermeiro, sem condições”; há trinta doentes em média internados em macas nos corredores do hospital, outros ficam “em cadeirões há mais de 48 horas, sem cama para se deitar”, enquanto decorrem obras a decorrer no local. Fala em “pó, batuques, tirar chão, paredes… tudo o que se pode imaginar numa obra” enquanto uma média de trinta pessoas fica internada nas macas destes corredores. As suas necessidades estão a ser feitas à vista de toda a gente, denuncia-se.

Para além disso, a urgência respiratória está fechada há mais de 48 horas e é impossível escoar doentes para o circuito normal, de acordo com o Sindicato dos Enfermeiros Portugueses.

A TVI revela ainda que a secção regional do centro da Ordem dos Enfermeiros contabiliza 80 pedidos de escusas de responsabilidade de enfermeiros apenas vindos deste hospital. Consideram não ter condições para assegurar a vida e a segurança das pessoas e a qualidade dos cuidados de enfermagem.

O governo tinha prometido a abertura de um concurso para contratar mais 2.200 para o Serviço Nacional de Saúde mas estes enfermeiros estão fartos da espera e exigem à administração do Centro Hospitalar do Oeste que proceda a contratações e que reorganize serviços para que os enfermeiros não sejam obrigados a fazer turnos duplos e “trabalhar cerca de 500 horas por mês, ao invés das 140 a 150 que lhes competiam fazer”, diz Ivo Gomes.