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Emissões de metano batem todos os recordes

Este gás tem um efeito de estufa 28 vezes maior do que o dióxido de carbono durante um século. Combustíveis fósseis, criação de gado e aterros sanitários são responsáveis pelo aumento.
Instalação contra o uso de combustíveis fósseis durante a cimeira de Paris. Foto de John Englart/Flickr.
Instalação contra o uso de combustíveis fósseis durante a cimeira de Paris. Foto de John Englart/Flickr.

Os investigadores do Projeto Carbono Global publicaram dois artigos, nas revistas Earth System Science Data e Environmental Research Letters, nos quais alertam para um aumento exponencial nas emissões mundiais de metano. Este projeto junta mais de cinquenta instituições de investigação e reúne dados de mais de cem estações de observação pelo mundo. O metano provoca um efeito de estufa que é 28 vezes maior do que o CO2 durante um século. Se tomarmos em conta um período de vinte anos é 86 vezes mais potente.

Com o aumento registado entre 2000 e 2017, a temperatura global pode sofrer um aumento entre três a quatro graus celsius antes do fim do século. Nos últimos anos, as emissões de metano foram de cerca de 600 milhões de toneladas.

60% destas emissões são da responsabilidade de atividades humanas. E estão em crescimento ao ritmo de 50 milhões de toneladas por ano. Rob Jackson, da Universidade de Stanford e um dos responsáveis pelas investigações do Projeto Carbono Global, esclarece ainda que “as emissões de metano dos bovinos e de outros ruminantes são quase tão grandes como as da indústria de combustíveis fósseis”.

Em 2017, as emissões de metano causadas pela agricultura foram de 227 milhões de toneladas, o que significa que estão 11% acima da média dos primeiros seis anos deste século. Por sua vez, as emissões causadas pelos combustíveis fósseis foram de 108 milhões de toneladas, o que as coloca quase 15% acima da média do mesmo período de comparação.

A única notícia relativamente boa, apesar de insuficiente, chega da Europa, onde as emissões se reduziram ao longos dos últimos anos. Os aumentos maiores vieram de África, Médio Oriente, China, Sul da Ásia, Oceânia e de várias ilhas do Pacífico com aumento de entre 10 a 15 milhões de toneladas/ano. Os EUA aumentaram emissões em 4,5 milhões de toneladas por ano.

Os investigadores defendem que para “cumprir os objetivos do Acordo de Paris, não apenas as emissões de CO2 precisam ser reduzidas como também as de metano”, como afirma Marielle Saunois, do Laboratório de Ciências do Clima e do Meio Ambiente da França, outra das responsáveis pelos estudos. Daí a urgência de reduzir os consumos de combustíveis fósseis, a necessidade de mudar a forma de alimentar gado e cultivar arroz e introduzir alterações na dieta alimentar humana, consumindo menos carne. Dizem ainda que a pandemia não teve o mesmo efeito de redução destas emissões uma vez que a produção agrícola continuou e o aquecimento das casas também.

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