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Emigrantes lesados do BES fazem novo protesto em Paris

Emigrantes prometem novas ações, a 17 de junho na capital francesa e posteriormente em Portugal. Núcleo de França do Bloco de Esquerda voltou a estar presente no protesto porque “esta luta ainda não teve sucesso, o que é uma vergonha”.

A iniciativa, organizada pelo grupo Emigrantes Lesados Unidos, teve lugar junto do edifício da Ópera como pano de fundo. Durante o protesto, os cerca de cem emigrantes lesados do BES ostentaram bandeiras de Portugal e cartazes com frases como “bancos portugueses = perigo”, ao mesmo tempo que gritavam “banqueiros portugueses, ladrões dos emigrantes”.

Emigrantes lesados não vão desistir da luta

Em declarações à agência Lusa, vários emigrantes garantiram que não irão desistir.

Vou continuar a participar nas manifestações porque “o dinheiro que lá está é fruto do trabalho, suor e sacrifício de tanto ano” em França, frisou Madalena Araújo, de 57 anos.

“Venho a todas e continuarei sempre que possa. Jamais abandonarei este combate, esta luta, porque não podemos abandonar. Já vão fazer três anos no dia 04 de agosto [desde o colapso do BES] e parar é morrer, como se costuma dizer”, acrescentou.

Também Jaime Gonçalves Russo, de 77 anos, e há 54 anos em França, promete continuar a participar nos protestos: “Tenho vindo sempre porque me dói. Não tenho lá muito, mas pronto, era o dinheiro da reforma. Em 1963 vim para aqui, trabalhar aqui no duro e a viver no bidonville de Saint-Denis, nas barracas de Saint-Denis. Estive lá nove anos. O que me apetece dizer é que nos paguem o nosso suor, as nossas economias que lá deixámos, e alguém está a beneficiar do nosso suor”.

Graça Machado, com 74 anos, diz que vai lutar “até morrer”, e que espera que “os filhos e os netos” continuem a luta que ela iniciou ao lado do marido, Filipe Alves, de 78 anos.

António Marrão, de 65 anos, lamenta que os emigrantes sejam “os esquecidos disto tudo”, e Amélia Reis refere a “humilhação muito grande porque não se pode deixar as pessoas neste estado”.

“Estão completamente prisioneiras do banco”

Carlos Costa, do grupo Emigrantes Lesados Unidos, salientou que “há pessoas desesperadas porque não têm dinheiro para viver e outras que não têm dinheiro para ir para Portugal” e que “estão completamente prisioneiras do banco”.

“Desde o princípio que dizemos que estamos esquecidos e é evidente que estamos esquecidos. Eles andam a empatar. O Novo Banco continua a apodrecer esta situação e tem que haver uma solução”, sinalizou Carlos Costa, de 50 anos, atualmente desempregado e com mais quatro pessoas da família que também foram lesadas pelo BES.

A sua mãe sofreu um AVC há sete meses “derivado a isto tudo” e “ficou sem o dinheiro”: “Nós ficámos sem o dinheiro e agora não temos dinheiro para a pôr em Portugal numa casa de reforma. Não temos dinheiro para a pôr nem aqui nem lá”.

Emigrantes marcam novas ações

Helena Batista, vice-presidente da Associação Movimento Emigrantes Lesados Portugueses (AMELP), anunciou que foi agendado um “dia de luta” em Paris para 17 de junho, com uma reunião de informação com a equipa jurídica da AMELP, de manhã, e uma manifestação, à tarde, entre a sede do Novo Banco, no 16.º bairro da capital, e a praça do Trocadero.

Assumindo que “ainda temos muito trabalho pela frente”, Helena Batista  acredita que “a verdade acabará por sair vitoriosa desta luta”.

Na próxima semana, a AMELP vai enviar “uma carta a cada deputado europeu com a petição” que entregou, na quinta-feira, ao Parlamento Europeu e na qual considera que a resolução do BES é ilegal. Helena Batista recordou também que este mês a AMELP apresentou na Justiça ações contra os funcionários do BES que venderam os produtos que levaram a perdas financeiras. No mês passado, a associação também entregou na Assembleia da República uma petição assinada por oito mil emigrantes “para que seja reconhecido que os produtos vendidos eram fraudulentos”.

Bloco volta a estar presente no protesto

Adriano Salgueiro, do núcleo de França do Bloco de Esquerda, marcou presença neste protesto porque “esta luta ainda não teve sucesso, o que é uma vergonha”.

Segundo Adriano Salgueiro, o papel do Bloco é “fazer pressão sobre o Governo”. Os bloquistas contam que “este verão seja movimentado para se impedir que [o banco] seja vendido e, acima de tudo, para que as poupanças sejam devolvidas”.

 

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