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Emergência feminista: milhares protestam em Espanha contra violência de género

A noite violeta de 20 de outubro espalhou-se por mais de 250 cidades espanholas. Milhares saíram às ruas num protesto massivo contra a violência de género.
Protesto contra a violência de género. Setembro de 2019. Madrid.
Protesto contra a violência de género. Setembro de 2019. Madrid. Foto: Twitter.

Na sexta-feira à noite chovia fortemente na Porta do Sol, em Madrid, mas isso não abalou a determinação das milhares de pessoas que aí acorreram para protestar contra o aumento da violência de género em Espanha.

E a capital foi apenas uma das mais de 250 cidades de todas as comunidades espanholas em que a cor violeta iluminou a noite. Literalmente, uma vez que muitas das manifestantes trouxeram luzes desta cor e que várias Câmaras Municipais se juntaram ao protesto da sociedade civil e decidiram também iluminar edifícios e monumentos de violeta. Uma cor que, dizia Lydia Selles, uma das organizadoras, simboliza “a necessidade de desterrar o medo que nós mulheres sentimos quotidianamente ao sair à rua de noite”.

A ideia nasceu o mês passado na Plataforma Feminista de Alicante de que Selles faz parte. E foi somando apoios: organizações dos direitos das mulheres, movimentos sociais, sindicatos partidos, depois várias outras instituições. Só em Madrid eram mais de 70 as organizações que faziam parte da convocatória da noite violeta. Também Paris e algumas cidades argentinas e colombianas se juntaram à iniciativa.

A necessidade de lançar este grito feminista está cruamente apoiada pelos factos. Espanha viveu o pior verão da década em termos de violência de género. E “no passado mês de julho, a cada dois dias uma mulher foi assassinada”. Por isso, escrevia-se na convocatória inicial, “isto já não é um alerta. Declaramos a emergência feminista.”

A extrema-direita e o “negacionismo” do machismo

Algumas organizações feministas que se juntaram em conferência de imprensa antes do protesto fizeram também questão de confrontar “a clara relação causa-efeito entre o discurso negacionista da violência de género e o incremento de vítimas mortais”. Pensam que este discurso da extrema-direita “dá respaldo” a quem maltrata “para reafirmar a sua posição e não sentir que as suas ações violentas são condenáveis” e é um insulto às organizações de mulheres e às próprias vítimas.

A indignação destes coletivos aumentou depois de uma ação do Vox no Ajuntamento de Madrid ter boicotado o minuto de silêncio pela mais recente vítima mortal de uma agressão machista neste país. A extrema-direita demarcou-se do ato oficial do minuto de silêncio tendo-se manifestado com um cartaz a dizer que “a violência não tem género”.

Por tudo isto, as feministas consideram que há um “gravíssimo retrocesso” nos direitos das mulheres e dizem-se determinadas a não parar as mobilizações até conseguirem que nenhuma mulher fique desprotegida.

Nesta ocasião Lydia Selles exigiu “medidas efetivas”. “Necessitamos de recursos económicos, vontade política, formação para o sistema judicial e que a co-educação entre de vez nas escolas”, avança.

Citada pelo jornal Publico espanhol, Selles explicou ainda que “decretamos o estado de emergência porque consideramos que as mulheres vivem num estado de exceção e que o Estado tem de atuar. Estão-nos a privar de poder sair à noite”. Por isso, garantiram, “a noite será violeta”. E milhares cumpriram-no mesmo esta sexta-feira, iluminando-a.

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