You are here

Em Portugal, os 5% mais ricos detêm 42% do património

Portugal continua a ser dos países mais desiguais da Europa e da OCDE, com a riqueza a ser concentrada num reduzido número de famílias. Aposta nas qualificações, tributação de doações e heranças e aumento das transferências sociais são soluções propostas para combater a situação.
Foto de Paulete Matos

Segundo dados recolhidos pelo Expresso, a desigualdade provocada pela concentração do património acumulado em Portugal tem-se agravado, ao contrário do que acontece com a distribuição de rendimentos, que se reduziu por causa do aumento do emprego e da subida do salário mínimo.

Os especialistas ouvidos pelo semanário concordam em apontar o aumento das qualificações como “a chave para diminuir as desigualdades no futuro”, como aponta o economista Carlos Farinha Rodrigues. No entanto, também aqui a pandemia veio dificultar esse caminho, sublinha a economista Susana Peralta, apoiando-se nos estudos sobre o ensino à distância que concluiu que as crianças beneficiárias de apoios sociais obtiveram piores resultados nos exames.

Outro desafio, acrescenta o ex-ministro Paulo Pedroso, é o de “lançar políticas de atração de investimento externo e em setores mais modernos” e abandonar os apoios a pequenas empresas de setores pouco produtivos “que puxam pelos mínimos”. Essa transformação da base produtiva é essencial para que o país cresça e com melhores salários. Revitalizar a contratação coletiva é outra das armas para aumentar o peso dos salários no PIB, contrariando a queda que tem sofrido desde a crise da dívida.

Também do ponto de vista da fiscalidade é possível combater as desigualdades. e a concentração da riqueza. Por exemplo, retomando o imposto sucessório para tributar as doações e heranças, que para Susana Peralta “são a forma de perpetuar no tempo as desigualdadades mais gritantes”. Todos concordam que deve haver um limite a esta tributação. “Se uma família tem uma casa e a deixa aos filhos não deve ser tributada, mas se forem 25 prédios já deve”, exemplifica Carlos Farinha Rodrigues.

As transferências sociais são outro instrumento de redistribuição que pode ser usado mais eficazmente. Por exemplo, aponta Susana Peralta, em 2017 o RSI só chegava a 37% das pessoas em situação de pobreza extrema. Paulo Pedroso defende o aumento do valor do Indexante de Apoios Sociais, que esteve congelado durante a troika, “desligando a proteção social da evolução do rendimento”.

Termos relacionados Sociedade
(...)