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Em Madagáscar, um milhão sofre de fome aguda por causa das alterações climáticas

A catástrofe ambiental afetou fortemente o país-ilha. Um relatório da Amnistia Internacional, intitulado “Será demasiado tarde para nos ajudarem quando já estivermos mortos” alerta para a sua dimensão.
Madagáscar. Foto de Pierrot Men para a Amnistia Internacional.
Madagáscar. Foto de Pierrot Men para a Amnistia Internacional.

As alterações climáticas agravaram uma seca de proporções históricas que está a causar fome aguda em cerca de um milhão de pessoas em Madagáscar, de acordo com um relatório publicado esta quarta-feira pela Amnistia Internacional.

No sul desta ilha, que se situa ao largo da costa sudeste de África, perto de Moçambique, nove em cada dez pessoas vivem abaixo do limiar da pobreza e tentam agora alimentar-se de catos e tubérculos selvagens a que juntam cinzas ou argila branca de forma a tentar minimizar o seu mau sabor. Muitas delas adoecem. A Unicef, por exemplo, associa 44% das mortes de crianças com menos de cinco anos no país à malnutrição.

Dada a situação dramática, o documento da AI intitula-se “Será demasiado tarde para nos ajudarem quando já estivermos mortos”. A secretária-geral da organização, Agnès Callamard, diz que “Madagáscar está na primeira linha da crise climática. Isto traduz-se no facto de um milhão de pessoas estar confrontada com uma seca de dimensão catastrófica que resulta em violações dos seus direitos à vida, à saúde, à alimentação e à água. O que implica o risco de morrer de fome.” E, em vésperas da abertura da COP 26, apela à comunidade internacional para que tome urgentemente medidas “concretas e corajosas” para responder à crise climática e aos países mais poluidores e que têm “mais recursos disponíveis” que “forneçam uma ajuda financeira e técnica suplementar para ajudar as pessoas de Madagáscar a melhor se adaptarem às consequências das alterações climáticas”.

Segundo a ONU, Madagáscar é o quarto país mais vulnerável às alterações climáticas e vive a primeira grande fome causada por estas. O aumento das temperaturas junta-se à diminuição das chuvas e à desflorestação de uma ilha que perdeu 90% da floresta original. Esta favorece a formação de tempestades de areia que pioram a seca dos campos, poluem as fontes de água, comprometendo culturas e criação de gado.

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