You are here

Em cinco anos duplicaram crimes de perseguição

No Dia de luto nacional pelas vítimas de violência doméstica são tornados públicos os números do crime de perseguição, legislado a partir de 2015. O ano passado houve mil inquéritos. Muitos ligados à violência doméstica.
Stalker. Foto de Diegolar/Flickr.
Stalker. Foto de Diegolar/Flickr.

O crime de perseguição está legislado desde 2015. No Dia de luto nacional pelas vítimas de violência doméstica, assinalado este domingo, o Jornal de Notícias traz as contas de como o número de inquéritos não parado de aumentar.

Em 2016 foram abertos 482 pelo crime de perseguição ou assédio persistente. Em 2017, foram 658. Em 2018, 682. Em 2019, 894. O ano passado 907.

O JN perguntou a vários especialistas pela razão de aumento que, em cinco anos, faz com que estes crimes tenham passado a ser o dobro. Para a coordenadora do Grupo de Investigação sobre Stalking da Universidade do Minho, Marlene Matos, encontra-se aqui um eco de “uma maior consciencialização para o problema”. Na investigação que publicou em 2019 sobre o tema tirou a conclusão de que uma relação anterior entre vítima e perseguidor pode resultar em "comportamentos mais intrusivos e mais ameaçadores" e num "maior risco de insistência e reincidência".

No mesmo sentido vão as declarações de Daniel Cotrim da Associação Portuguesa de Apoio à Vítima que confirma que “o aumento destas queixas está na sua grande maioria associada ao crime de violência doméstica. A partir do momento em que a vítima deixa uma relação abusiva, na maioria das vezes a pessoa agressora decide encetar a perseguição”. E esta pode começar por atos que não parecem de perseguição mas que podem escalar.

Para além das vítimas que tiveram no passado uma relação com o perseguidor, que constituem os casos considerados mais graves, há também outras: relações de vizinhança ou amizade, desconhecidos, celebridades, profissionais da justiça, ação social ou saúde. Estes últimos perseguidos em alguns casos porque o agressor procura uma relação ou porque se quer vingar de uma decisão profissional que sente que o lesou.

De qualquer forma, explica Marlene Matos, há que “levar a sério” este crime já que, sublinha, "desvalorizar os comportamentos é meio caminho andado para eles se agravarem".

Termos relacionados Sociedade
(...)