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Em casa, mulheres trabalham quase mais 2 horas que homens e a maioria acha isso justo

Resultados do Inquérito Nacional aos Usos do Tempo de Homens e de Mulheres mostram que as mulheres de todas as idades ainda trabalham mais que os homens em casa e terem filhos é uma diferença decisiva para reforçar assimetrias de género.
Pilha de loiça, foto de Angie Chung/Flickr.

Foram esta terça-feira divulgados os resultados do Inquérito Nacional aos Usos do Tempo de Homens e de Mulheres que demonstraram que em todas as idades, são as mulheres que gastam mais tempo em tarefas domésticas e na prestação de cuidados a menores e pessoas dependentes. Além disso, a larga maioria (70%) das mulheres e dos homens (75,6%) considera a desigual divisão de tarefas como “justa”.

A média diária de horas dedicadas a este tipo de trabalho não remunerado é, para as mulheres, de 4,23 e para os homens apenas 2,38. 4,8% dos homens acham que as mulheres fazem mais trabalho do que o que seria justo, contra 21,6% das mulheres. A maioria destas mulheres vive com menores de 15 anos, o que levou os investigadores a concluir que "o sentimento de injustiça face à partilha das tarefas domésticas expresso pelas mulheres" pode ser aumentado pela parentalidade, que “constitui muitas vezes um ponto decisivo no qual se definem ou reforçam assimetrias de género”.

Em consequência da sobrecarga laboral em que vivem, um terço das mulheres reconheceu ter tido, ao longo do último ano, dificuldades de concentração, por vezes vezes no exercício do seu trabalho. Para 74,2% dos homens, isso nunca, ou muito raramente, foi uma dificuldade.

Os investigadores afirmam que “a partilha do cuidado e a articulação entre responsabilidades parentais e trabalho pago são domínios que, apesar de uma crescente ‘reivindicação’ por parte dos homens do seu direito à paternidade, ainda evidenciam a persistência de desigualdades de género”. O inquérito revela a expetativa que este diagnóstico possa “sensibilizar para a necessidade de uma distribuição mais equilibrada do trabalho não pago de cuidado” e que se criem políticas públicas para a igualdade de género na articulação da vida profissional, familiar e pessoal.

O inquérito foi coordenado pela investigadora Heloísa Perista  e conduzido pelo Centro de Estudos para a Intervenção Social em colaboração com a Comissão para a Igualdade no Trabalho e no Emprego e teve uma amostra representativa da população (de 10.146 pessoas), além de ter feito entrevistas em profundidade.

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