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Em Bragança condenou-se a violência, na Praia exigiram-se respostas

As concentrações de homenagem a Luís Giovani estavam convocadas para 20 cidades em 9 países. Em Bragança, as autoridades locais lideraram a iniciativa. Na Praia, os jovens derrubaram as barreiras de segurança montadas à volta da embaixada portuguesa.
Manifestação na Cidade da Praia
Milhares de pessoas manifestaram-se na Cidade da Praia. Foto de Fernando de Pina/Lusa

Bragança e Praia estiveram unidas no protesto contra a morte brutal do estudante cabo-verdiano  Luís Giovani no final de 2019, para a qual todos ainda esperam respostas. Mas o clima dos protestos não podia ser mais diferente, de acordo com os relatos da agência Lusa.

Na cidade onde o crime aconteceu havia uma faixa com o nome do estudante e a frase “Não à Violência”, segurada por várias entidades locais, seguindo-se uma marcha silenciosa. Um desses representantes foi o presidente do Instituto Politécnico de Bragança (IPB), Orlando Rodrigues, que anunciou a presença no funeral de Giovani, a realizar no próximo sábado em Cabo Verde.

Para Orlando Rodrigues, a homenagem de sábado serviu para “afirmar os valores da não violência, do respeito pelos outros e da paz, da multiculturalidade”. “Neste momento em que estes valores são postos em causa queremos dizer que a nossa comunidade é uma comunidade pacífica, que estes atos são absolutamente excecionais e não são a regra e, sem hesitações queremos afirmar esses valores”, sublinhou o presidente do IPB. Já bispo da Diocese de Bragança-Miranda quis deixar a sua “presença de silêncio, de proximidade”, tendo depois proferido uma homilia na catedral, a última etapa da homenagem.

A iniciativa contou com a participação de muitos estudantes em Bragança e Mirandela, onde Luís Giovani também estudava, e de várias nacionalidades. O presidente da Câmara, Hernâni Dias, disse desejar que a marcha sirva para mostrar que “a comunidade brigantina é pacífica, acolhedora e que isto não passa de um ato isolado”.

“Se fosse um português assassinado em Cabo Verde, a história era outra"

Enquanto isso, na cidade da Praia, em Cabo Verde, o momento serviu para exigir respostas e deixar críticas às autoridades portuguesas de de Cabo Verde. A manifestação foi uma das maiores de sempre na cidade e teve moments de tensão junto à embaixada de Portugal e à residência oficial d embaixadora portuguesa. “O objetivo é apenas apelar ao Governo de Portugal para levar à justiça as 15 pessoas que mataram Giovani de forma brutal – é que Giovani tem família, tem país – e somos a prova disso, com o que está a acontecer agora [manifestações] em nove países e em 20 cidades”, explicou à Lusa Oraci Cruz um dos rostos da organização da marcha de hoje. “Se fosse um português assassinado em Cabo Verde, a história era outra. Estamos aqui para apelar por justiça e não para guerra”, acrescentou.

Ao verem-se afastados por 200 metros do edifício da embaixada, os manifestantes acabaram por derrubar várias barreiras de segurança até se aproximarem da porta da embaixada e criticaram a ação do dispositivo policial presente. “O objetivo era aproximar da porta [da Embaixada de Portugal] e levar um poema, mas infelizmente não conseguimos segurar as pessoas, que estão cansadas de casos que não são resolvidos. Por isso, as pessoas estão aqui não só pelo Giovani, mas por alguns crimes que têm acontecido no país e para os quais não temos resposta. E achávamos que o nosso jovem estava seguro em Portugal, mas isso aconteceu com ele”, criticou, garantindo que o objetivo, como se chegou a recear, nunca foi invadir qualquer edifício. A manifestação seguiu para a Assembleia Nacional e depois para a residência oficial do presidente do país, Jorge Carlos Fonseca. “Queremos justiça” e “Justiça para o Giovani” foram algumas das palavras de ordem mais entoadas.

Para além da Praia, Bragança e Lisboa, realizaram-se concentrações noutras cidades, como Paris:

Na terra natal de Giovani, Mosteiros, a população vestiu-se de branco para sair à rua. “A marcha silenciosa é também uma forma de pedir Justiça para o pianista que foi brutalmente agredido e morto”, afirmou a autarquia:

Em Viseu decoraram-se estátuas com frases a recordar Luís Giovani:

 

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