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Elite da Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos acusada de crimes de guerra no Iémen

Um grupo de advogados de direitos humanos vai apresentar esta quarta-feira uma queixa legal no Reino Unido acusando figuras-chave na Arábia Saudita e nos Emirados Árabes Unidos de estarem envolvidas em crimes de guerra relacionados com a guerra no Iémen.
Foto de YAHYA ARHAB, Epa, Lusa.

Segundo avança o The Guardian, os advogados do grupo Guernica 37 acusam cerca de 20 membros da elite política e militar das duas nações do Golfo de crimes contra a humanidade, e pedem a sua prisão imediata caso estes entrem no Reino Unido.

A lista completa dos acusados não foi divulgada, mas o jornal britânico assinala que a mesma deve incluir o príncipe saudita Mohammed bin Salman e o seu homólogo nos Emirados, Mohammed bin Zayed. Ambos são considerados aliados políticos próximos do Reino Unido e investidores importantes no país. Convém recordar que a família governante dos Emirados Árabes Unidos é proprietária do Manchester City. No início deste mês, o Fundo de Investimento Público da Arábia Saudita assumiu o controlo dos rivais da Premier League Newcastle United, num negócio de 305 milhões de libras.

Toby Cadman, do Guernica 37, afirmou esperar que as autoridades competentes ignorem quaisquer pressões políticas do governo britânico e avaliem as questões de forma justa.

“Estamos a falar dos crimes mais hediondos e não acreditamos que haja qualquer imunidade” que os possa proteger, frisou Cadman.

No dossier de mais de 200 páginas compilado no último ano pelo grupo de advogados, são incluídos testemunhos das famílias de civis mortos em ataques aéreos no Iémen.

Em causa estão, nomeadamente, os ataques aéreos por jatos da coligação contra um autocarro escolar no norte do Iémen em agosto de 2018, que matou pelo menos 26 crianças e feriu pelo menos outras 19 e o bombardeamento de um funeral na capital, Sana'a, em outubro de 2016, que matou pelo menos 140 pessoas e feriu outras 600. Na época, a coligação liderada pelos sauditas assumiu a responsabilidade pelo ataque. O dossier inclui também provas referentes à tortura e assassinato de civis em Aden, no sul do Iémen, por mercenários colombianos sob o comando de uma empresa militar privada norte-americana contratada pelos Emirados Árabes Unidos.

“De acordo com a lei do Reino Unido, não há exigência de que os crimes sejam cometidos em território do Reino Unido ou que haja vítimas ou réus no Reino Unido”, apontou Cadman.

Nem a Arábia Saudita nem os Emirados Árabes Unidos integram o Tribunal Penal Internacional de Haia, pelo que não é possível apresentar o caso nesta instância.

Mais de 10.000 crianças mortas ou feridas durante o conflito

"O conflito no Iémen acaba de ultrapassar uma marca vergonhosa, a de 10.000 crianças mortas ou feridas, desde o início dos combates em março de 2015. O que representa quatro crianças todos os dias", denunciou James Elder, porta-voz da UNICEF.

Elder apontou que "a crise humanitária no Iémen - a pior do mundo - é fruto da convergência trágica de quatro ameaças: um conflito violento duradouro, uma economia devastada, serviços em ruínas para todos os sistemas de ajuda, seja saúde, alimentação, água ou saneamento, proteção e educação e uma operação da ONU gravemente subfinanciada".

O porta-voz do Fundo das Nações Unidas para a Infância, citado pela agência Lusa, alertou ainda que, com "o atual nível de financiamento e se os combates não pararem, a UNICEF não poderá chegar a todas as crianças", insistindo que "sem maior ajuda internacional, estas crianças - que não têm qualquer responsabilidade no conflito - vão morrer".

De acordo com a UNICEF, quatro em cada cinco crianças no Iémen necessita de ajuda humanitária, um total de 11 milhões. Cerca de 400.000 crianças sofrem de má nutrição aguda e dois milhões não vão à escola.

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