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Eleições nos EUA: urnas ilegais na Califórnia, cartões de visita do KKK no Tennessee

Com o medo da pandemia a impulsionar o voto antecipado, já há um recorde de votos por esta via. Para além de atrasos nos correios e medo de manipulação, os sistemas de recolha de votos antecipados estão a gerar outras polémicas.
O State Farm Arena em Atlanta, iGeorgia, é um dos locais oficiais para a votação antecipada. Outubro de 2020. Foto de JOHN AMIS/EPA/Lusa.
O State Farm Arena em Atlanta, iGeorgia, é um dos locais oficiais para a votação antecipada. Outubro de 2020. Foto de JOHN AMIS/EPA/Lusa.

Pelo menos 10.4 milhões de cidadãos norte-americanos já terão votado para as eleições presidenciais do próximo dia 3 de Novembro. E este número diz respeito apenas aos estados que fornecem publicamente dados sobre o voto antecipado. Trata-se de um aumento significativo face ao que aconteceu em 2016 e que é explicável facilmente pelo contexto da pandemia. Em comparação, nas eleições passadas, até ao dia 16 de outubro desse ano, tinham sido 1.4 milhões de pessoas a utilizar esta forma de voto. Estas contas foram feitas pelo US Election Project da Universidade da Florida.

Trump tem sido o principal elemento a lançar desconfiança sobre o sistema de voto antecipado e por correspondência. Mas depois de estar implementado, já há várias disputas legais e políticas de ambos os lados da corrida presidencial. Por exemplo, as autoridades da Califórnia anunciaram que estão a investigar criminalmente a instalação de urnas não autorizadas em três condados. A responsabilidade é do Partido Republicano, que defende a prática e diz que vai continuar.

Sede partidárias e de campanha, lojas de armas, Igrejas e ginásios, em Fresno, Los Angeles e Orange foram os locais escolhidos para recolher votos dos eleitores do partido de Donald Trump. Estas urnas foram colocadas à margem do sistema oficial montado pelo estado da Califórnia para recolher em segurança e garantindo a confidencialidade do voto antecipado.

Alex Padilla, Secretário de Estado da Califórnia e Xavier Becerra, Procurador-Geral, asseguram que estas urnas “não são permitidas” e que algumas estarão mesmo identificadas falsamente como se fossem oficiais. Ameaçam assim acusar os responsáveis por promover uma fraude que não assegura o direito “de que o teu voto seja contado corretamente” se, até quinta-feira, o sistema não for desmontado e não forem transmitidos às autoridades os dados de quem colocou votos nestas urnas, de forma a que sejam oficialmente verificados.

Jordan Tygh, diretor de campo da campanha da candidata republicana na Califórnia, Michelle Steel, foi um dos que chamou a atenção da imprensa para o caso ao fazer-se fotografar junto de uma urna que tinha a inscrição de oficial mas que era do Partido Republicano. 

Mas se na Califórnia o sistema de “colheita de votos” é considerado ilegal pelas autoridades, em alguns outros estados é aceite que membros das campanhas andem de porta em porta a recolher votos.

No Texas, urnas antecipadas a menos

A disputa sobre voto antecipado no Texas é não sobre as urnas extra, mas sobre as que alegadamente faltarão. O governador Greg Abbott, republicano, limitou o número de locais de votação antecipada a um por condado, sem ter em conta a dimensão da região ou o tamanho da população. Democratas e defensores do direito de voto insurgiram-se e o caso chegou ao 5º Tribunal de Recurso Federal. A decisão foi conhecida esta segunda-feira e foi favorável ao governador.

Na prática, a decisão leva a que vários locais de voto preparados pelos condados não possam abrir. O condado de Harris, a que pertence Houston e que tem quatro milhões de habitantes, tinha preparado 12 diferentes locais de voto e o de Travis, a que pertence Austin, tinha quatro. No Texas, o voto por correspondência é altamente limitado.

No Tennessee, o KKK deixa “cartões de visita” a apoiantes de Biden

Para além das disputas sobre a votação em concreto, todo o clima que rodeia estas eleições é tenso. O que se passou no Tennessee ilustra este tipo de ambiente. Segundo dá conta a revista Newsweek, vários apoiantes de Joe Biden estão a ser intimidados pelo histórico grupo racista Ku Klux Klan, tendo recebido em casa cartões que dizem que foram alvo de uma “visita social” e que, da próxima vez, serão alvo de uma “visita de negócios” da organização.

Estes apoiantes são identificados pela prática habitual em alguns locais de colocar cartazes de apoio ao candidato preferido em frente à sua casa.

O Departamento de Polícia de Shelbyville confirma mas parece desvalorizar o caso, tendo enviado uma declaração a dizer que “fomos informados de que residentes estão a receber literatura proveniente de indíviduos que se fazem passar por cavaleiros do Ku Klux Klan. Literatura semelhante tem vindo a ser encontrada desde há vários anos.”

O chefe-adjunto da polícia local não vê nestes cartões prova de intimidação e acrescenta: “Não acreditamos que estejam a visar raças específicas. Acreditamos que estão a visar certos bairros que são até predominantemente brancos", disse em declarações à WPLN. Quanto ao conteúdo dos cartões, afirma que “a maior parte das pessoas olha para eles como lixo.”

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