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Eleições no Brasil (3): uma polarização extrema

Neste artigo, faço uma antevisão das eleições gerais de amanhã, com destaque para o 1º turno da eleição presidencial, a mais dramática da 6ª República. Por Jorge Martins.
De acordo com todas as sondagens, a sociedade brasileira encontra-se extremamente polarizada e esta reflete-se nas intenções de voto
De acordo com todas as sondagens, a sociedade brasileira encontra-se extremamente polarizada e esta reflete-se nas intenções de voto

Nos artigos anteriores, forneci aos leitores os principais aspetos do sistema político-institucional brasileiro e uma detalhada resenha da história política do país. Agora, farei uma antevisão das eleições gerais de amanhã, com destaque para o 1º turno da eleição presidencial, a mais dramática da 6ª República.

Tudo indica que Jair Bolsonaro, da extrema-direita, e Fernando Haddad, o candidato da esquerda que concorre no lugar do ex-presidente “Lula” da Silva, atualmente preso, se qualificarão para o 2º turno

De acordo com todas as sondagens, a sociedade brasileira encontra-se extremamente polarizada e esta reflete-se nas intenções de voto. Assim, tudo indica que Jair Bolsonaro, da extrema-direita, e Fernando Haddad, o candidato da esquerda que concorre no lugar do ex-presidente “Lula” da Silva, atualmente preso, se qualificarão para o 2º turno, não deixando espaço aos candidatos centristas. Ilustrando toda essa polarização, são, igualmente, os dois que suscitam maior rejeição entre os eleitores.

Mas vejamos, com mais pormenor, o perfil dos 13 candidatos que se apresentam a sufrágio.

 

Jair Bolsonaro, um demagogo populista que concorre sob a sigla do Partido Social Liberal (PSL), é um capitão do exército na reserva, defensor do regime militar que esteve à frente do país entre 1964 e 1985

Jair Bolsonaro, um demagogo populista que concorre sob a sigla do Partido Social Liberal (PSL), é um capitão do exército na reserva, defensor do regime militar que esteve à frente do país entre 1964 e 1985. Tem o apoio de outro pequeno partido da direita radical, o Partido Renovador Trabalhista Brasileiro (PRTB), dirigido por outro demagogo populista e ex-candidato presidencial, Levy Fidelix. Contudo, o PRTB indicou, como candidato à vice-presidência, outro militar simpatizante da ditadura: o general Hamilton Mourão. A sua “chapa” tem como slogan “Brasil acima de tudo, Deus acima de todos”. Oriundo do Rio de Janeiro, onde foi vereador, é deputado federal desde 1991, tendo, desde então, já militado em oito formações políticas diferentes. Da última vez, fora eleito na “legenda” do Partido Social Cristão, muito próximo da IURD. Não contando com o apoio deste e uma vez que precisava de um partido para poder candidatar-se a PR, “fez uma OPA” sobre o PSL, até aí um pequeno partido de centro-esquerda. Algo que provocou a debandada de grande parte dos militantes daquela força política. Até há pouco, Bolsonaro era relativamente desconhecido no Congresso, onde apenas conseguiu fazer aprovar dois dos projetos que apresentou, culpando a esquerda pelo facto. Ganhou protagonismo quando, na sessão que aprovou o “impeachment” de Dilma, dedicou o seu voto favorável ao coronel Carlos Brilhante Ustra, o militar que a torturou quando esta, então guerrilheira urbana em luta contra a ditadura, foi detida. Considera que o regime militar constituiu um período glorioso na história do país, a quem trouxe “ordem e progresso” e que, se algum erro cometeu, foi ter torturado em vez de, pura e simplesmente, matar os seus inimigos. Considera que o ditador chileno Augusto Pinochet matou pouca gente (“só” 3000 pessoas!...) e que o peruano Alberto Fujimori, que, após eleito, deu um autogolpe, é um modelo a seguir. Ao mesmo tempo, mostrou-se favorável à intervenção dos militares na política, manifestando a sua disponibilidade para liderar um golpe de Estado. Posteriormente, multiplicou-se em declarações provocatórias, de teor machista, homofóbico e racista. Numa polémica com a deputada do PT e ex-ministra dos Direitos Humanos, Maria do Rosário, declarou que só não a estuprava porque ela não merecia, o que o levou a ser condenado em Tribunal a indemnizá-la. Afirmou, entre outras “pérolas” misóginas, que as mulheres devem ganhar menos que os homens porque engravidam e são menos produtivas. Sendo pai de cinco filhos (quatro homens e uma mulher), disse que esta última resultara de uma “fraquejada”. Relativamente a declarações homofóbicas, declarou, entre muitas, que seria incapaz de amar um filho “gay”, preferindo que este morresse num acidente, mas declarou que tal seria impossível na sua família, já todos tinham sido “bem educados”, e que, se tivessem começado a mostrar essa orientação, levariam uns valentes açoites, afirmações que lhe valeram mais uma condenação em multa por incitamento ao ódio. Noutra ocasião, declarou que, se visse dois homens a beijar-se na rua, lhes bateria. Rejeita o casamento homossexual e acha que as crianças adotadas por casais LGBT serão, certamente, violadas por aqueles. Declarou ser contra o ensino da “ideologia de género” nas escolas, que, em sua opinião, serve apenas para criar homossexuais. Considera-se um defensor dos “valores familiares tradicionais” e, por isso, é antiaborto e defende conceções conservadoras em matéria educativa. O seu racismo ficou, igualmente, evidente, quando afirmou que os negros já nem para procriadores servem. É contrário a todas as medidas de ação afirmativa para os negros e outras minorias étnicas (como as quotas nas universidades), que considera discriminatórias para os brancos e contrárias à meritocracia. Ao mesmo tempo, classificou os imigrantes haitianos, africanos e árabes como a “escumalha da Humanidade”. Para terminar, há a registar a sua proposta para a esterilização dos mais pobres, que são, em sua opinião, ineducáveis, pelo que o planeamento familiar é ineficaz para eles. A (in)segurança é um dos grandes pontos do seu discurso. Nesse capítulo, defende a pena de morte, a prisão perpétua, a licença para matar para os agentes policiais e a diminuição da idade legal de imputabilidade, bem como a liberdade de posse de armas por aqueles que designa como “os homens de bem”, a exemplo do que ocorre nos EUA. É totalmente contrário à legalização da marijuana, defendendo “mão dura” para com os traficantes. Ao mesmo tempo, afirma querer combater a corrupção, que identifica com o PT, e a burocracia, pela qual responsabiliza a esquerda. Em mais uma declaração provocatória, avançou que, para acabar com o flagelo se deveriam fuzilar todos os “petralhas” (“petistas”). Contudo, não explica as rápidas promoções e a subida exponencial do salário da sua mulher, secretária no Congresso. A economia não é o seu forte e as suas ideias (?) são “sopradas” pelo seu assessor económico, Paulo Guedes, que poderá vir a ser a sua escolha para ministro da Fazenda. As suas conceções baseiam-se nas grandes premissas do neoliberalismo: menor intervenção estatal na economia, redução das despesas do Estado, diminuição dos impostos às empresas e sobre as heranças, privatização das empresas estatais, ou seja, um verdadeiro “maná” para os mais ricos. Aliás, o seu companheiro de “chapa”, general Hamilton Mourão, menos habituado aos meandros da política partidária, foi autor da espantosa declaração de que “o Brasil é o único país do mundo onde se trabalha 12 meses e se ganham 13”, defendendo o fim do 13º mês de salário. Querem maior exemplo de provincianismo e de tacanhez? Acabou contrariado por Bolsonaro, que declarou não estar aquela prestação salarial em causa. O mesmo general que classificou as famílias monoparentais como “fábricas de desajustados”. Na política externa, é favorável a uma maior aproximação aos EUA, acusando “Lula” de ter estado ao serviço dos inimigos do mundo livre.

Ironicamente, Bolsonaro beneficiou do atentado que sofreu durante uma ação de campanha na cidade de Juiz de Fora (Minas Gerais), quando foi esfaqueado no abdómen por um doente mental, obrigando-o a duas intervenções cirúrgicas. Não só o efeito de vitimização o favoreceu na opinião pública, mas o internamento e a necessidade de repouso pouparam-no à necessidade de fazer campanha e inibiram os ataques por parte dos seus adversários. Para um candidato sem ideias estruturadas, que baseia a sua candidatura num conjunto de “sound bites” provocatórios, a ausência dos debates terá sido, de alguma forma, vantajosa. Até porque a lei eleitoral brasileira dispõe que, no 1º turno, o tempo de antena dos candidatos é atribuído proporcionalmente à sua representação na Câmara dos Deputados e o partido por que concorre, o PSL, dispõe de muito poucos deputados, pelo que o tempo a ele atribuído foi muito reduzido. Trump, com quem se identifica ideologicamente, é a sua inspiração e, tal como aquele, faz um uso bastante eficiente das redes sociais, onde espalha, com frequência notícias falsas ou de veracidade duvidosa sobre os seus adversários e as respetivas propostas. As suas declarações misóginas levaram ao aparecimento de um movimento denominado Mulheres Contra Bolsonaro, com o slogan “Ele não!” e que promoveu várias manifestações contra o candidato. Esta semana a sua candidatura recebeu um alento suplementar, com o apoio de várias figuras das igrejas evangélicas, como o bispo Edir Macedo (IURD) e o pastor Silas Malafaia (Assembleia de Deus), o que lhe pode valer o voto dessa considerável franja de eleitores e o apoio explícito da Rede Record e de outras televisões ligadas a essas igrejas. Conseguiu, ainda, o apoio de algumas associações empresariais. Assim, lidera destacado as últimas sondagens relativas ao 1º turno, com valores que variam entre os 36 e os 40%. Contudo, o seu índice de rejeição é extremamente elevado (42%), o que dificulta a sua tarefa no 2º turno.

 

Fernando Haddad é o candidato do PT, da esquerda moderada, após a inabilitação definitiva de “Lula” pelo STE. Para além do seu partido, é igualmente apoiado pelo PCdoB, a que pertence a sua candidata à vice-presidência, Manuela D’Ávila

Fernando Haddad, um académico descendente de libaneses, é o candidato do Partido dos Trabalhadores (PT), da esquerda moderada, após a inabilitação definitiva de “Lula” pelo STE. Para além do seu partido, é igualmente apoiado pelo Partido Comunista do Brasil (PCdoB), a que pertence a sua candidata à vice-presidência, a “gaúcha” Manuela D’Ávila. Tem o apoio de um pequeno partido de tendência centrista e democrata-cristã, o Partido Republicano da Ordem Social (PROS). A sua “chapa” tem como slogan “O povo feliz de novo”. Natural de São Paulo, é economista e filósofo, tendo sido ministro da Educação nos governos de “Lula” e no primeiro de Dilma, tendo abandonado o executivo para se candidatar à prefeitura da sua cidade, que governou entre 2013 e 2017. No primeiro daqueles cargos, distinguiu-se pela criação do programa Universidade para Todos, que consistiu, essencialmente, na concessão de bolsas aos estudantes mais pobres, permitindo que muitos jovens oriundos das classes baixas chegassem ao Ensino Superior e conseguissem obter licenciaturas, mestrados e, mesmo, doutoramentos, algo de impensável ainda há poucos anos. Muitos puderam, mesmo, completar os seus estudos no estrangeiro, como podemos comprovar aqui em Portugal. Já no segundo não foi tão feliz, já que, logo no início do mandato, teve de enfrentar as manifestações de protesto pela subida dos preços dos transportes públicos na grande metrópole paulista, medida decidida em conjunto com o governo estadual, da direita, depois revogada. Apesar de ter construído inúmeras ciclovias na cidade e aumentado a frequência dos transportes urbanos, não recuperou a popularidade e saiu sem glória nas últimas eleições municipais, recolhendo apenas 17% dos votos.

Com “Lula” na liderança de todas as sondagens, o PT apostou todas as “fichas” na possibilidade de o ex-presidente poder ser candidato. Aliás, é assaz irónico que a rejeição da sua candidatura se deva à lei da Ficha Limpa, aprovada durante o seu governo, embora partindo de uma iniciativa popular, para evitar que políticos corruptos, já condenados na 2ª instância, pudessem apresentar-se a sufrágio. Quando se percebeu que tal não seria possível, a direção “petista” continuou a afirmar que “Lula” era o seu candidato, sendo Haddad o seu companheiro de “chapa”. Contudo, aquela tinha já um Plano B, que consistia em substituir o ex-presidente por Haddad, passando a dirigente do PCdoB, Manuela D’Ávila. Porém, de forma a transferir as intenções de voto em “Lula” para o seu candidato a vice optou por assumir a adoção da nova fórmula eleitoral o mais tarde possível. Depois de, em 31 de agosto, o Supremo Tribunal Eleitoral (STE) confirmar a inabilitação do ex-presidente, o PT e o PCdoB confirmaram a nova “chapa” no dia 11 de setembro, data limite para a apresentação das candidaturas. O PT lançou, então, a campanha “Lula é Haddad. Haddad é Lula”. No início, a estratégia pareceu resultar, pois, apesar de o antigo prefeito de São Paulo ser pouco conhecido fora do seu estado e não ter, nem de perto nem de longe, o carisma do ex-PR, em especial junto dos mais pobres, Haddad viu as suas intenções de voto quase triplicar, Algumas notícias sobre um eventual envolvimento na Lava Jato, que atribuiu a apoiantes de Bolsonaro, não pareceram prejudica-lo muito. Porém, no início desta semana, Sérgio Moro, o juiz responsável pelas investigações do escândalo Lava Jato e pela prisão de “Lula”, publicou as declarações que o seu antigo ministro da Fazenda, António Palocci, atualmente preso, prestou em abril, ao abrigo da chamada “delação premiada”, em que o arguido pode beneficiar de uma redução de pena se colaborar com a polícia e a justiça, denunciando os seus alegados cúmplices. Aí, o ex-ministro acusa o ex-PR de ter conhecimento do esquema de corrupção pelo qual foi condenado. Um “timing” estranho para tal divulgação, a juntar a outras ações e decisões do juiz, claramente direcionadas contra o PT. Ou seja, parece estarmos em presença de “gato escondido com o rabo de fora”. A partir daí, Haddad estagnou nas intenções de voto, estando estas atualmente entre os 23 e os 25%. Pior ainda, a sua taxa de rejeição também aumentou, estando agora nos 37%, não muito longe da de Bolsonaro, o que torna mais difíceis as suas hipóteses de vencer o 2º turno.

 

Ciro Gomes é o candidato do Partido Democrático Trabalhista (PDT), de centro-esquerda

Ciro Gomes, jurista e professor universitário, é o candidato do Partido Democrático Trabalhista (PDT), de centro-esquerda. Além do seu partido, goza, ainda, do apoio do AVANTE, um pequeno partido centrista e populista, antes designado por Partido Trabalhista do Brasil (PTdoB). Tal como outros políticos brasileiros, mudou várias vezes de partido, tendo já integrado sete formações diferentes. A candidata à vice-presidência é Katia Abreu, também do PDT natural do estado de Tocatins e ex-ministra da Agricultura de Dilma. O slogan da sua “chapa” é “Brasil soberano”. “Paulista” de nascimento, foi desde para o Ceará ainda criança e aí tem desenvolvido grande parte da sua vida pessoal, profissional e política, sendo, na prática, um nordestino. Eleito deputado estadual no final do regime militar, foi, no final dos anos 80, prefeito de Fortaleza, a capital do estado, do qual se tornaria governador em 1991. Aí se distinguiu pelo apoio que deu aos pequenos negócios, pelo combate à burocracia, à fraude e evasão fiscal e pelas suas políticas sociais, onde se destacaram os investimentos na educação e na saúde. O programa Viva Criança, iniciado durante a sua administração, levou a uma significativa redução da mortalidade infantil no estado. Numa região bastante seca, o abastecimento de água é fulcral e Ciro construiu um canal para abastecer Fortaleza, a que deu o nome de Canal do Trabalhador. Deixaria o cargo três anos depois, chamado por Itamar Franco para substituir Fernando Henrique Cardoso (FHC), que se candidatara à presidência, para ministro das Finanças, continuando com a implementação do Plano Real, iniciado por aquele. Rompe com FHC e o seu governo e candidata-se a PR em 1998 e 2002, ambas sob a “legenda” do Partido Popular Socialista (PPS), então de centro-esquerda, de que se torna líder. Neste último ato eleitoral, apoia “Lula” no 2º turno. Em troca, o novo presidente nomeia-o ministro da Integração Nacional, cargo que ocupa durante todo o seu primeiro mandato e que se destinava a promover políticas de desenvolvimento para as regiões mais pobres do país, entre as quais se conta o “seu” Nordeste, de forma a reduzir as assimetrias regionais. Quando o seu partido vira à direita e vota pela saída do governo do PT, Ciro recusa e abandona-o, passando para o PSB (Partido Socialista Brasileiro). Eleito deputado federal em 2006, aí se mantem nos quatro anos seguintes. Quando rebentou o escândalo Lava Jato, mostrou-se contrário à destituição de Dilma e à prisão de “Lula”. Entre as principais propostas da sua candidatura, estão o aumento do investimento público em infraestruturas, com o apoio do Banco de Desenvolvimento Económico e Social, embora não excluindo PPPs, o retorno da taxa de juro de longo prazo e a intervenção do banco central para descer o “spread” bancário, o apoio às empresas inovadoras, o reforço de programas sociais no domínio da habitação, a defesa da igualdade de género e medidas de ação afirmativa para os grupos mais desfavorecidos. De negativo, a proposta de introduzir um modelo de capitalização na Segurança Social. Uma curiosidade: afirma que o seu modelo de desenvolvimento é Portugal e o seu atual governo. Durante a campanha, tem atacado a candidatura de Bolsonaro, a quem apelidou de fascista. Para alguns setores democratas, teria mais facilidade em vencer o candidato da extrema-direita no 2ª turno, já que a sua taxa de rejeição é baixa (cerca de 16%) e poderia atrair mais votos ao centro que Haddad. Porém, a sua imagem de imprevisibilidade prejudica-o e a extrema polarização da sociedade não o ajuda. Por isso, as últimas sondagens apenas lhe concedem entre 12 e 13% das intenções de voto.

 

Geraldo Alckmin é o candidato do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), de centro-direita, até agora a principal força de oposição aos governos do PT

Geraldo Alckmin, médico anestesista, é o candidato do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), de centro-direita, até agora a principal força de oposição aos governos do PT. É a candidatura que regista maiores apoios partidários, já que para além dos “tucanos”, conta com a adesão de mais oito partidos do centro, centro-direita e direita: Democratas (DEM), Partido Progressista (PP), Partido da República (PR), Partido Republicano Brasileiro (PRB), Solidariedade (SD), Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), Partido Social Democrata (PSD) e Partido Popular Socialista (PPS). Na sua “chapa”, a direitista “gaúcha” Ana Amélia (PP) é a candidata à vice-presidência. O slogan da candidatura é “Para unir o Brasil”. Nascido numa cidade do interior “paulista”, foi vereador e prefeito da sua terra natal, antes de ser eleito deputado estadual, no início dos anos 80 de nascimento. Em 1987, foi eleito deputado federal pelo PMDB e cumpriu dois mandatos na Câmara dos Deputados. Dali saiu para integrar, como pretendente a vice-governador, a candidatura vitoriosa de Mário Covas a governador de São Paulo, em 1995. É um dos fundadores do PSDB, criado em torno do presidente FHC, em 1998. Com a morte de Covas, em 2001, herda o cargo, que abandona para se candidatar a PR em 2006, sendo substituído por José Serra. Derrotado por “Lula”, que é reeleito, regressa triunfalmente ao governo estadual, quatro anos depois, sendo reeleito em 2014. Estamos, pois, em presença de um veterano da política. Os seus vários mandatos como governador de São Paulo ficaram marcados pelas privatizações das empresas estaduais, a aposta nas PPPs, medidas que justificou como forma de financiar investimentos em saúde e educação. Em 2013, enfrentou greves nesses dois setores e, juntamente com Haddad, então prefeito da metrópole, as manifestações contra o aumento do preço dos transportes. Contudo, isso não prejudicou a sua eleição, já que aquelas acabaram por virar-se, essencialmente, contra o PT e a então presidente Dilma. Desde sempre ligado aos interesses empresariais, defende uma redução do papel do Estado na economia, um governo mais pequeno, a descida dos impostos às empresas e o prosseguimento das reformas trabalhistas regressivas do governo Temer. No plano dos costumes, é um conservador, tendo fortes ligações à Opus Dei. Surgiram, entretanto, suspeitas de que as suas duas últimas campanhas terão sido financiadas pela Oderbrecht, empresa envolvida no escândalo Lava Jato, algo que o candidato nega. Dada a grande quantidade de partidos que o apoia, representando cerce de 40% dos deputados federais, Alckmin beneficiou de um tempo de antena desproporcionado nas televisões. Apesar disso, a sua campanha nunca logrou “levantar voo”. Tido como a aposta das elites empresariais e das classes altas e médias, Alckmin revelou-se uma perfeita deceção. O facto de vários elementos em destaque no PSDB, em especial o ex-candidato presidencial Aécio Neves, estarem envolvidos na operação Lava Jato e em outros atos de corrupção, não apenas a nível federal, mas também estadual e local, não o ajudou Assim, muitos eleitores da direita e do centro-direita acabaram por apoiar Bolsonaro, que lhes surgiu como uma cara nova. Ainda por cima, o atentado que aquele sofreu inibiu os ataques que o candidato do PSDB tinha planeado dirigir-lhe durante a campanha. Se a isso juntarmos o facto de Alckmin não ser tudo menos um candidato carismático, talvez tenhamos uma explicação para o fracasso da sua candidatura. Apesar de a sua rejeição ser baixa, semelhante à de Ciro (aproximadamente 17%), o certo é que as últimas sondagens não lhe atribuem mais de 8 a 9% dos sufrágios.

 

Marina Silva é a candidata da Rede Sustentabilidade (REDE), formação ecologista fundada pela própria. Conta, ainda, com o apoio do Partido Verde (PV)

Marina Silva, ativista ambiental, é a candidata da Rede Sustentabilidade (REDE), formação ecologista fundada pela própria a partir de um movimento que criara, em 2012, embora só obtivesse a legalização três anos depois. Conta, ainda, com o apoio do Partido Verde (PV), uma força política ambientalista de orientação centrista, a que pertence o seu candidato a vice-presidente, Eduardo Jorge. O slogan da “chapa” é “Unidos para transformar o Brasil”. Filha de seringueiros, nasceu numa fazenda do remoto estado do Acre, na região amazónica. Foi analfabeta até à adolescência, tendo feito os primeiros estudos quando, após a morte de seus pais, foi para a capital estadual, Rio Branco, onde ficou a viver num convento. Prosseguiu os seus estudos e tirou um bacharelato em História na universidade local. Conviveu com o líder sindical Chico Mendes, defensor da floresta amazónica contra a desflorestação e o deslocamento forçado das comunidades indígenas, que acabaria assassinado por dois latifundiários (pai e filho), com quem organizou várias manifestações. Aderiu ao PT, partido pelo qual foi eleita vereadora na capital do Acre e, pouco depois, deputada estadual. Em 1995, torna-se senadora, sendo a primeira filha de seringueiros a ocupar um lugar no Senado. Convidada por “Lula” para ministra do Ambiente, em 2003, mantem-se no cargo durante cinco anos. Porém, divergências relativamente às políticas ambientais levam-na a demitir-se. A sua ação no ministério fora criticada tanto por parte do agronegócio, por se opor a projetos com impactes ambientais negativos e ao cultivo de OGM, como pela Greenpeace e outras ONG que consideravam a sua ação insuficiente. Também os seus colegas se irritavam com a sua oposição a projetos de construção de infraestruturas hidroelétricas e às bioenergias. Volta a ser eleita senadora, em 2008, e abandona o PT no ano seguinte. Ingressa, então, no PV, que a apresenta como candidata presidencial em 2010. Nestas, fica em terceiro lugar, com mais de 19% dos votos. Sai dos verdes e passa a independente, criando a REDE. Para concorrer às eleições de 2014, tenta legalizar o seu movimento como partido, mas não consegue validar muitas das assinaturas que recolhe para o efeito. A solução que encontra é entrar no Partido Socialista Brasileiro (PSB), sendo nomeada candidata a vice-presidente na “chapa” do partido, liderada por Eduardo Campos. Quando este morre num acidente aéreo, torna-se a candidata do PSB e vê algumas sondagens preverem a possibilidade de passar ao 2º turno e enfrentar Dilma. Contudo, apesar de obter mais de 21% dos sufrágios, volta a quedar-se pela terceira posição, atrás de Dilma e Serra. Na 2ª volta, apoia pessoalmente Aécio, algo que não é bem aceite por muitos dos seus apoiantes. Em 2015, consegue finalmente legalizar a REDE. Na atual campanha para as presidenciais, a sua plataforma insiste na defesa do ambiente e de um desenvolvimento sustentável, com destaque para a preservação da floresta amazónica e de outras áreas com valor ecológico. Opõe-se ao programa nuclear brasileiro, defendendo o seu abandono e o investimento em fontes de energia renováveis e endógenas. Apesar de ter recebido uma educação católica, converteu-se à Assembleia de Deus, uma das principais igrejas evangélicas do país. Daí a sua pauta conservadora em matéria de costumes, opondo-se à legalização do aborto (embora tenha defendido um referendo em 2010, proposta que foi criticada pelo pastor Silas Malafaia, chefe da sua igreja) e do casamento LGBT. O seu partido apresenta-se como sendo anticorrupção e criou uma campanha denominada Lava Voto, em que pede aos eleitores que não votem nos deputados que recusaram abrir um processo de “impeachment” a Temer, após as denúncias de corrupção que sobre ele pesam. O problema é que alguns parlamentares do seu partido estão, igualmente, sob investigação… Com a polarização extrema da campanha, Marina acaba por não ter grande espaço, nem à direita nem à esquerda, embora pudesse ter algumas hipóteses num 2º turno. Porém, as sondagens apenas lhe dão cerca de 4 a 5% das intensões de voto.

 

João Amoêdo, banqueiro, empresário e engenheiro, é o candidato do Partido Novo (NOVO), partido liberal

João Amoêdo, banqueiro, empresário e engenheiro, é o candidato do Partido Novo (NOVO), partido liberal, com alguns laivos de direita libertária, legalizado em 2014. O seu companheiro de “chapa” é outro empresário, Christian Lohbauer, do mesmo partido. “Carioca”, não ocupou, até agora, qualquer cargo político. Defende a redução do peso do Estado na economia e a redução dos impostos. Considera que estes são demasiado altos face à fraca qualidade dos serviços públicos. Por isso, é favorável à privatização destes e, também, das empresas públicas, pois considera que a gestão privada é mais eficiente, transparente e respeitadora da meritocracia. Critica os restantes partidos e a classe política em geral, considerando-a responsável pelo baixo desenvolvimento do país. Por isso, entendeu ser necessário criar um partido novo, “diferente de todos os outros”, de forma a criar condições de participação aos cidadãos que não se revem na atual classe política e suas práticas corruptas. O NOVO evita tomar posição em certas questões de costumes, como o aborto ou a legalização das drogas, mas apoia, por um lado, o casamento LGBT e, por outro, a livre posse de armas. As sondagens atribuem-lhe intenções de voto na casa dos 3%.

 

Henrique Meirelles, engenheiro e economista, é o candidato do Movimento Democrático Brasileiro (MDB)

Henrique Meirelles, engenheiro e economista, é o candidato do Movimento Democrático Brasileiro (MDB), formação centrista que retornou à designação inicial, quando era o partido da oposição tolerada à ditadura militar. Faz parte da administração de várias empresas, uma das quais a Azul, principal compradora da TAP. O seu candidato a vice-presidente é o “gaúcho” Germano Rigotto, do mesmo partido e o slogan da candidatura é “Esta é a solução!”. Natural do estado de Goiás, foi gestor bancário no BankBoston, voltando ao Brasil para aí dirigir a sua filial brasileira. Voltou aos EUA para assumir o cargo de CEO do banco a nível mundial e só regressou ao Brasil em 2002. Nesse ano, foi eleito deputado estadual, eleito pelo PSDB, mas exerceu o mandato por pouco tempo. No ano seguinte, “Lula”, recém-eleito presidente, querendo dar um sinal de confiança aos meios empresariais e financeiros, nomeou-o governador do Banco do Brasil. Quando deixou o cargo em 2011, foi convidado por Dilma para presidir ao comité organizador dos Jogos Olímpicos de 2016, com a missão de coordenar os investimentos para as obras necessárias à realização do evento. Em 2016, aceita o convite de Temer para ministro da Fazenda do seu governo. Este ano, deixa os “tucanos” e adere ao MDB, que o nomeia candidato presidencial. Contudo, a sua candidatura esteve, desde o início, condenada ao fracasso, não só por ser visto com o candidato de Temer, o PR mais impopular da História recente do Brasil, mas também porque as suas propostas não são muito diferentes das de Alckmin. Além do mais, o seu nome surgiu nos chamados “Paradise Papers”, uma investigação jornalística que mostra o desvio de dinheiro para “paraísos fiscais” por parte de políticos, banqueiros e empresários de todo o mundo. Daí que as sondagens sejam pouco simpáticas, com as suas intenções de voto a quedarem-se entre os 2 e os 2,5%.

 

Álvaro Dias candidata-se pelo Podemos (PODE), nova designação do Partido Trabalhista Nacional (PTN)

Álvaro Dias, historiador, candidata-se pelo Podemos (PODE), nova designação do Partido Trabalhista Nacional (PTN). Apesar do nome, pouco tem a ver com o seu homónimo espanhol, algo que é assumido pelo candidato, que justifica o nome como a tradução do “Yes, we can” de Obama. A verdade, porém, é que estamos em presença de uma formação que a aproxima, em parte, do Movimento 5 Estrelas italiano. Embora se defina como nem de esquerda nem de direita, é nesta última que deve ser colocado. Defende o aumento da participação cidadã e a democracia direta, com o recurso frequente ao referendo e a ideia do veto popular, em que o povo pode vetar leis já aprovadas ou, ainda, o direito de pedir um referendo revogatório dos titulares dos cargos políticos. A sua candidatura conta, ainda, com o apoio de vários pequenos partidos da direita: dois religiosos: o Partido Social Cristão (PSC), ligado à IURD e pelo qual Bolsonaro fora eleito deputado em 2014, e o Partido Trabalhista Cristão (PTC), do ex-presidente Collor de Mello, e outro, o Partido Republicano Progressista (PSP), que reivindica a herança do antigo prefeito de São Paulo, Ademar de Barros, autor da frase “roubo mas faço”. Paulo Rabello de Castro (PSC) acompanha-o como seu candidato a vice e o slogan da campanha é “A verdadeira mudança”. “Paulista” de nascimento, foi muito novo para o Paraná, onde fez toda a sua carreira política. Começou, nos anos 70, no oposicionista MDB, tendo sido, sucessivamente, vereador na cidade de Londrina, deputado estadual, deputado federal e senador. No final dos anos 80, foi eleito governador do estado. Em 1999, voltou para o Senado, onde se mantem até hoje. Até agora, já militou em sete partidos diferentes, com a última mudança a ser a saída do PV para o PODE. Nos cargos que desempenhou, foi apresentando várias propostas para combater a corrupção. Tem sido esse o principal tema da sua campanha, visando, muito especialmente, o PT, embora o seu partido tenha abandonado o executivo de Temer após a denúncias de práticas corruptas por parte do atual PR. Contudo, já houve denúncias acerca de financiamento ilegais das suas campanhas para governador do Paraná e atuações menos éticas no decorrer de outras eleições. As sondagens não lhe auguram grande futuro, cotando-o entre 1,5 e 2% dos sufrágios.

 

Guilherme Boulos é o candidato do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL)

Guilherme Boulos, filósofo e mestre em Saúde Mental, é o candidato do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), o partido “irmão” do Bloco de Esquerda, que resultou numa cisão promovida por alguns elementos da ala esquerda do PT, desiludidos com as políticas e as práticas daquele. Tem, ainda, o apoio do Partido Comunista Brasileiro (PCB), que, nos tempos de Luís Carlos Prestes, já foi conhecido como o “partidão”, mas hoje não passa de um “partidinho” extraparlamentar. Para candidata a vice-presidente, escolheu Sônia Guajajara, ativista maranhense dos direitos das comunidades indígenas, a primeira pessoa daquela etnia a candidatar-se a tão elevado cargo. O seu slogan de campanha é “Vamos sem medo de mudar o Brasil”. “Paulista”, desde cedo se envolveu nos movimentos sociais, sendo, atualmente, coordenador do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST). Organizou as manifestações contra o “Mundial” de 2014, sob o lema “Não vai ter copa!” e tem participado em várias ocupações de fábricas (como a da Volkswagen) no ABC paulista e, também, de casas devolutas e fazendas incultas, o que lhe tem valido algumas detenções, acusado de desobediência e incitamento à violência. Apesar da emoção despertada pelo cobarde assassinato da sua vereadora “carioca” do seu partido, Marielle Franco, e de a sua figura disfrutar de alguma simpatia, a extrema polarização política não favorece a sua candidatura, vítima do chamado “voto útil” no PT e em Haddad. Por isso, as últimas sondagens não lhe atribuem mais de 1% das intenções de voto.

 

Cabo Daciolo candidata-se pelo Partido Patriota (PATRI), uma formação de extrema-direita

Cabo Daciolo, bombeiro militar, candidata-se pelo Partido Patriota (PATRI), uma formação de extrema-direita, com ideais próximos dos do integralismo dos anos 30 e com ligações à evangélica Assembleia de Deus. Como companheira de “chapa”, apresenta Suelene Nascimento do mesmo partido. Após ter liderado uma greve dos bombeiros militares do Rio de Janeiro, com ocupação do respetivo quartel, foi detido durante uma semana. Aderiu ao PSOL, partido por quem foi eleito senador estadual. Porém, rapidamente se percebeu que fora um “erro de casting”, quando apelou à libertação de 12 agentes policiais acusados do assassinato de um habitante da “favela” Rocinha e quando propôs que a Constituição passasse a dispor que “a soberania reside em Deus” e não no povo. Expulso do partido, “fez escala” no centrista AVANTE e “aterrou” no PATRI. Porém, com o êxito da candidatura de Bolsonaro ficou sem espaço e muitos dos seus simpatizantes darão o seu voto ao ex-capitão. Daí que, nas sondagens, não vá além de 1%.

 

Os restantes três candidatos estão todos cotados abaixo de 1%. São eles o veterano José Maria Eymael, da Democracia Cristã (DC), da direita católica, que apresenta Hélvio Costa, do mesmo partido; como seu companheiro de “chapa”; Vera Lúcia, uma jovem sindicalista, pelo Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU), da extrema-esquerda, acompanhada por Hertz Dias, e João Vicente Goulart, filho do ex-presidente João Goulart, que, após abandonar o PDT, se apresenta pela “legenda” do Partido Pátria Livre (PPL), uma formação da esquerda nacionalista, tendo Léo Alves como candidato à vice-presidência.

Como podemos verificar, tudo indica que o 2º turno seja disputado entre Jair Bolsonaro e Fernando Haddad. Se a votação de hoje já é extremamente importante, a do próximo dia 28 será, seguramente, dramática e decisiva para o futuro próximo do Brasil.

Uma questão que se coloca é esta: como pode um fascistoide como Bolsonaro, capaz das tiradas mais reacionárias, desumanas e boçais, ao nível de um qualquer “troll” das caixas de comentários dos jornais e das redes sociais, ter sérias possibilidades de vir a ser eleito presidente do Brasil? Vários fatores contribuem para se ter chegado a este ponto. Ei-los:

1º) A crise económica e social, agravada pelas medidas regressivas do governo de Temer, gerou o aumento das desigualdades sociais, num país já de si tão desigual. Para além da descida do nível de vida das classes médias e baixas, provocou o aumento da criminalidade e da violência nas ruas, o que acaba por tornar popular o discurso da “lei e da ordem”.

2º) O alastramento da corrupção à grande maioria da classe política (e, neste particular, a desilusão face ao PT, que prometia uma prática muito diferente desempenha um papel fundamental) contribui para o cada vez maior descrédito das instituições democráticas brasileiras, pelo que o discurso populista antipolíticos e anti partidos, vistos como a causa da corrupção, torna-se extremamente apelativo.

3º) Uma parte da classe média, alguma da qual muito beneficiou das políticas de “Lula” e do PT, começou a temer os avanços dos mais pobres, que passaram a ocupar espaços que antes não frequentavam, algo que levou os primeiros a temer perder estatuto, uma perceção que se agravou com a queda do seu nível de vida, provocada pela crise económica.

4º) As classes altas, percebendo que a redistribuição da riqueza era incompatível com a manutenção dos seus lucros, uniram-se para afastar o PT e a esquerda do poder, com recurso a uma solução autoritária se necessário para defenderem os seus interesses, algo que referimos no artigo anterior.

5º) O peso crescente das igrejas evangélicas entre os mais pobres, fenómeno cuja intensidade se agrava em épocas de crise, como a que o Brasil vive. Extremamente reacionárias, mas bastante bem adaptadas à sociedade do espetáculo, ao contrário da Igreja Católica e outras confissões tradicionais, ganham cada dia que passa novos fiéis, que tendem a votar à direita.

6º) A verdadeira barragem de fogo mediática que atinge o PT, com os meios de comunicação social, em especial as televisões e os principais jornais, controlados pelos grandes grupos económicos, a “pintar” o PT e o ex-presidente “Lula” como a maior quadrilha que jamais existiu ao cimo da Terra, algo que é agravado pela atuação parcial da justiça (?), com destaque negativo para o juiz Sérgio Moro, cuja parcialidade é evidente. Por isso, a rejeição do PT é grande e muitos eleitores moderados preferem o triunfo de Bolsonaro, cujo perigo minimizam, a um regresso do Partido dos Trabalhadores ao poder.

7º) Finalmente, a conjuntura internacional, em especial a eleição de Trump, também ajudou a naturalizar o discurso populista e fascista de Bolsonaro, bem como o seu desprezo pelas regras e instituições democráticas ou o recurso frequente às “fake news” nas redes sociais para desacreditar os seus adversários.

NOTA: Os resultados das sondagens foram convertidos, considerando apenas as intenções de voto válidas, isto é, deixando de fora os brancos e os nulos.

Artigo de Jorge Martins, para esquerda.net

Sobre o/a autor(a)

Professor. Mestre em Geografia Humana e pós-graduado em Ciência Política. Membro da coordenadora concelhia de Coimbra do Bloco de Esquerda
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