You are here

El País: Banca francesa e alemã não cumpriu compromissos assumidos com a Grécia

Após a aprovação do primeiro pacote de financiamento aprovado entre a troika e o governo grego, os bancos alemães, franceses e holandeses começaram a vender os títulos de dívida helénica “a toda a pressa, jogando gasolina sobre a crise grega e ajudando a que esta se propagasse”.

Citando atas confidenciais do Fundo Monetário Internacional (FMI), datadas de maio de 2010, o El País revela que a "Alemanha, França e Holanda, num dos piores momentos da crise do euro, assumiram o compromisso de que os seus bancos apoiariam a Grécia e não venderiam dívida helénica", tendo sido essa uma das garantias dadas “para vencer as importantes resistências no seio do FMI” no que respeitava a conceder “o maior pacote de empréstimos da sua história”.

“Mas os três sócios europeus não cumpriram a sua palavra, agravando assim a crise”, refere o diário espanhol, avançando que os três países, após a aprovação do plano de intervenção, começaram a desfazer-se dos títulos que “queimavam as suas mãos”.

Segundo avança o El País, os bancos dos três países, que tinham, no primeiro trimestre de 2010, antes do resgate, mais de 122.000 milhões de dólares em dívida helénica, começaram a vender os títulos de dívida “a toda a pressa, jogando gasolina sobre a crise grega e ajudando a que esta se propagasse”.

No início de 2012, quando já se tornara evidente a necessidade de um segundo pacote de financiamento, e um perdão parcial da dívida por parte dos credores privados, os bancos alemães, franceses e holandeses apenas tinham 66.000 milhões em títulos gregos, quase metade do que se encontrava em seu poder dois anos antes. No final de 2013, a cifra era de 34.000 milhões de dólares, o que representa um decréscimo de 72%, face a 2010.

O El País avança ainda que as atas do FMI mostram que as divergências e as dúvidas sobre o sucesso do plano começaram logo a 10 de maio de 2010.

Ainda que Alemanha, Bélgica, Espanha, França, Holanda e Dinamarca tenham emitido um comunicado conjunto no qual apoiavam que o FMI emprestasse dinheiro à Grécia, países como a Chinesa, Egipto e Suíça alertaram para o risco de as análises conjuntas acabarem por revelar “diferenças de critério entre as três instituições representadas”, assinalava o memorando, assinado por Francesco Spadafora, assessor do diretor executivo do FMI.

“Com o tempo, esses choques tornaram-se evidentes. Quando o FMI admitiu que se equivocou ao subestimar os efeitos dos cortes na economia grega, a Comissão Europeia revelou-se indignada negando qualquer erro”, lembra o El País.

Se, por um lado, a China e a Suíça alertavam sobre “a possibilidade de os prognósticos de crescimento para a Grécia serem demasiado otimistas”, defendendo que “inclusive um ligeiro desvio sobre o cenário base poderia pôr em risco a sustentabilidade da dívida grega”, os representantes do Fundo respondiam a estes “temores”, sublinhando que também existia a possibilidade de a Grécia crescer mais do previsto.

Argentina, Austrália, Canadá, Brasil e Rússia assinalavam, à época, “’os imensos riscos’ do programa, não só para a Grécia, como também para o prestígio do FMI”.

“Outros países apontaram um risco que finalmente se converteu em realidade: a necessidade de conceder um perdão parcial face à impossibilidade grega de pagar todas as suas dívidas”, refere o diário espanhol.

Termos relacionados Internacional
(...)