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Ecossocialistas juntaram-se em Lisboa para discutir estratégias de luta

Os V Encontros Internacionais Ecossocialistas reuniram ativistas numa plataforma de discussão e partilha de experiências de luta pela justiça climática em todo o mundo.
Foto de Diogo Martins.

Entre sexta e domingo, passaram pelo Liceu Camões, em Lisboa, mais de uma centena de ativistas pela justiça climática e de outros movimentos. Os V Encontros Internacionais Ecossocialistas contaram também com a participação de ativistas de todo o mundo nas três sessões com transmissão online, coordenadas por ativistas do Sul Global impossibilitados de participar presencialmente devido às restrições para entrar na União Europeia. Ao todo, o encontro juntou 70 organizações e mais de 200 ativistas do Norte e do Sul Global em nove sessões e três reuniões plenárias.

Os temas do programa centraram-se em aspetos teóricos como as estratégias de transformação do sistema capitalista, o ecofeminismo enquanto política da classe trabalhadora e o papel dos sindicatos no movimento ecossocialista. Debateram-se também aspetos práticos como táticas e iniciativas para enfrentar o capitalismo e experiências de ativistas nos movimentos por justiça climática.

No encerramento do encontro, Daniel Carapau, dos Precários Inflexíveis, fez um balanço positivo deste fim de semana de partilha de “lições e angústias” de cada uma das lutas em que os participantes têm estado na linha da frente: “feminista, anti-racista, anti-xenofobia, em defesa das pessoas migrantes, pelo direito à habitação , pelos serviços públicos e contra as privatizações, pelos direitos laborais e pelos salários e pensões, até às lutas pela justiça climática e contra os combustíveis fósseis, entre muitas outras”.

“Uma das nossas frustrações coletivas é obviamente a desigualdade norte-sul”, prosseguiu o ativista do movimento contra a precariedade, uma desigualdade que é hoje bem patente nos impactos das alterações climáticas ou no acesso às vacinas. Mas também no próprio encontro, em que a sua presença ficou limitada à participação online. “Precisamos de lutar com as nossas companheiras do Sul global para acabar com esta desigualdade e podermos ter na próxima Edição dos Encontros uma grande representação  de África, da América Latina, Ásia e Médio Oriente”.

“Não será seguramente o capitalismo verde que vai afastar-nos do caos climático nem reduzir qualquer tipo de desigualdades, vai antes continuar a acentuá-las”, sublinhou Daniel Carapau, defendendo que um processo de transição justa implica a luta pelos direitos de quem trabalha e que não pode ficar para trás “por causa de uma transição desordenada ditada pelo capital”.

Estes Encontros permitiram articular plataformas comuns de ativismo, alargar a rede ecossocialista internacional e anunciar iniciativas com o objetivo de lançar as bases para uma sociedade mais justa, mais solidária e mais respeitadora das condições ecológicas e climáticas necessárias para a estabilidade da vida no planeta.

As edições anteriores dos Encontros Ecossocialistas Internacionais realizaram-se na Suiça (2014), no Estado espanhol (2015), em Euskadi (2016) e em Portugal (2018).

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