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“É urgente que se crie o estatuto de cuidador informal”

Marisa Matias diz que há, em Portugal, 800 mil pessoas que cuidam mas “não têm ninguém que cuide delas” e que é necessária uma “rede de serviços públicos que ajude”, nomeadamente no apoio psicológico e possibilidade de ter períodos de descanso.
Foto de Paula Nunes.

Esta sexta-feira, no decorrer de uma visita a uma cuidadora informal, Marisa Matias sublinhou que é fundamental dar garantias básicas aos cuidadores informais, apoios que “não existem nem na rede pública nem a nível dos cuidados continuados”. Referindo-se não apenas a cuidadores de pessoas com demência, mas também aos “muitos pais e muitas mães que cuidam de filhos com deficiência”, a candidata do Bloco lembra que, na maioria dos casos, as pessoas têm de “abdicar das suas carreiras e do seu trabalho”.

“É urgente é que se crie esse estatuto de cuidador informal”, afirmou Marisa Matias, lembrando a luta que os cuidadores informais têm nesse sentido e afirmando que é de louvar a forma como “se organizaram, apresentaram uma petição pública, o que deu origem a um relatório na Assembleia da República redigido por José Soeiro, que passou à comissão parlamentar e está em discussão".

A eurodeputada do Bloco lembrou ainda da estratégia apresentada no Parlamento Europeu, de combate à alzheimer e outras demências, “porque obviamente as instituições que existem não são suficientes para dar resposta” e explicou que, em situações destas, retirar do ambiente familiar pessoas com demência ou com deficiência frequentemente "agrava o estado das pessoas e castiga as próprias famílias”.

Para Marisa Matias, os “pais e as mães têm de ter o direito a poder escolher cuidar, com qualidade, com direitos e com recursos”. “Têm de ter essa possibilidade de poder cuidar e uma rede de serviços públicos que ajude". "Mesmo na rede pública, as pessoas podem ter de pagar 30 euros por dia para poderem descansar", afirmou.

Os direitos dos cuidadores informais têm sido uma prioridade durante todo o mandato de Marisa Matias no Parlamento Europeu. Aliás, em Coimbra, esta quinta-feira, a candidata também referiu o tema, a propósito de um relatório sobre igualdade de género e políticas fiscais na União Europeia, de que foi relatora no Parlamento Europeu, ao revelar que “75% dos cuidados prestados na União Europeia são prestados por cuidadores informais, 80% dos quais mulheres”. "Estas pessoas", alertou, "chegam à idade de reforma e não só não tiveram apoio como não terão direito aquilo que é o mais básico dos básicos, que é ter uma pensão com dignidade”.

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