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“É urgente parar de pagar à Turquia e usar dinheiro para proteger as pessoas”

Em Bruxelas, onde participou em reuniões do Grupo Parlamentar do GUE/NGL e do Agora o Povo, Catarina Martins criticou a União Europeia por ter entregue seis mil milhões de euros à Turquia, que utiliza os refugiados como arma, quando devia ter utilizado esse dinheiro para criar corredores seguros e acolher estas pessoas.
Migrantes tentando passar a fronteira entre a Turquia e a Grécia. Março de 2020.
Migrantes tentando passar a fronteira entre a Turquia e a Grécia. Março de 2020.Foto de ERDEM SAHIN/EPA/LUSA.

Em Bruxelas para várias reuniões com forças políticas de esquerda, nomeadamente no âmbito do Grupo Parlamentar Europeu do GUE/NGL e do movimento Agora o Povo, Catarina Martins tomou posição esta terça-feira sobre a situação “absolutamente calamitosa” que está a acontecer na fronteira entre a Turquia e a União Europeia.

Catarina Martins esclareceu que está a receber relatos “muito preocupantes” do que se está a passar em Lesbos e que as ONG que estão no terreno a apoiar os refugiados estão “a ser vítimas de ataques de forças de extrema-direita”.

Nas suas declarações à imprensa, a coordenadora do Bloco contextualizou a situação atual, referindo-se ao acordo entre a União Europeia e a Turquia que faz quatro anos em março. De acordo com a dirigente partidária, “nestes quatro anos foram entregues 6 mil milhões de euros à Turquia para esta fazer campos de concentração de refugiados”. Sendo que o Bloco sempre disse “que isto foi uma péssima ideia”.

Num momento em que a Turquia, que é “um regime autoritário”, “está a usar os refugiados como arma humana no seu conflito e para pressionar a União Europeia sobre os ataques que quer fazer na Síria”, facilmente se compreende que a crise dos refugiados “está pior e não melhor”.

Catarina Martins insta as instituições europeias a tomar imediatamente uma “decisão clara” que só pode ser a do acolhimento destes refugiados. A verba entregue à Turquia “era a verba necessária para criar corredores seguros para quem está a fugir da guerra e encontrar soluções para estas famílias absolutamente desesperadas” que estão a fugir da guerra, realça. Para além disso, esta verba deveria ajudar a combater o tráfico de seres humanos. Assim foi a “pior solução”. “Não resolveu a crise dos refugiados. Não respeitou direitos humanos.”

A porta-voz do Bloco recorda desta forma que não acolhendo estas pessoas se está “a desrespeitar a convenção dos direitos humanos e todas as obrigações internacionais de cada um dos países”. E que “é absolutamente inaceitável” dar ao regime de Erdogan “a possibilidade de utilizar vidas humanas como armas na sua guerra”.

Para além de ter feito este acordo, “absolutamente desastroso”, Catarina Martins acusa a União Europeia de ter ido “acabando com todos os programas que faziam o resgate de pessoas no Mediterrâneo e que combatiam as rede de tráfico de seres humanos”.

Para a dirigente bloquista, o que a União Europeia quer fazer é apenas renovar o acordo com a Turquia e “neste braço de ferro, há gente como nós que está a fugir da guerra, há crianças, há mulheres, há homens desesperados, que só veem guerra por todos os lados”. Estando portanto a ser parte do problema ao “financiar o regime que utiliza a vida destes refugiados como arma de guerra”, o que é “sinistro”.

É preciso menos hipocrisia, mais ação

Questionada sobre como poderia a União Europeia receber um número estimado pelas autoridades turcas de três milhões e meio de refugiados, Catarina Martins tratou de desmistificar alguns dos discursos “hipócritas” que muitas vezes são feitos a este propósito e que “atacam quem foge da guerra.”

Em primeiro lugar, esclarece, este número “não é assim tanto”. Isto se pensarmos “no número de refugiados da Europa que outros países já acolheram quando foi preciso, noutras alturas” e comparando com os “500 milhões de habitantes” da Europa. Portanto, “é preciso por as coisas em perspetiva para perceber aquilo de que estamos a falar”.

Em segundo lugar, é uma questão de “responsabilidade” da Europa: “não só acolher como criar condições também”. A dirigente do Bloco trouxe a este propósito o facto da “União Europeia e de países da União Europaie” continuarem “alegremente a fazer comércio de armas com os países e com as forças políticas e armadas que criam as guerras nos locais de onde estas pessoas fogem”.

Para Catarina Martins é preciso “menos hipocrisia e mais ação da União Europeia”. O que passava não só por acabar com estes negócios de armas mas também por não comprar petróleo a quem os alimenta e sobretudo por colocar os recursos “que existem”, como prova o dinheiro dado à Turquia, reforçou, a serem “utilizados para salvar pessoas”.

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