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“É preciso desmascarar esta Europa desigual e não aceitar qualquer tipo de chantagem”

Reagindo aos impasses no Conselho Europeu, e à posição da Holanda e de outros países que têm beneficiado do dumping fiscal, Catarina Martins assinalou que as políticas europeias têm vindo a penalizar sempre os mesmos países e que temos de exigir respostas sérias.
Catarina Martins. Foto de António Cotrim, Lusa.
Catarina Martins. Foto de António Cotrim, Lusa.

À margem de uma reunião no Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto, a coordenadora bloquista frisou este sábado que “a União Europeia deve ter uma resposta solidária à pandemia”.

“Que nenhum país ache que está imune ao que está acontecer”, afirmou Catarina Martins. Reconhecendo que há países onde o turismo tem mais peso, a dirigente do Bloco destacou, por outro lado, que todos os países estão dependentes entre si e que sem essa solidariedade a crise social e económica vai agravar-se.

Para Catarina Martins, a posição da Holanda, que quer vetos sobre as políticas dos outros países para os fundos, é “particularmente irresponsável: “Tem uma política de dumping fiscal na UE, convida as empresas a irem para lá para pagarem menos impostos” e “esses impostos, que faltam a Portugal, Espanha, e outros países, estão a ficar na Holanda”, apontou.

De acordo com a coordenadora bloquista, “é bom que tenhamos a coragem de desmascarar esta Europa desigual e injusta que penaliza sempre os mesmos países e exigir respostas sérias não aceitando qualquer tipo de chantagem”.

Em entrevista ao jornal alemão Neues Deutschland, Catarina Martins também desmontou a falácia da imunidade de alguns países: "No que toca aos ‘quatro frugais’, tenho uma má notícia para si. Eles não são tão poupados assim. Esses países beneficiam do dinheiro dos impostos dos outros países, que o perdem por causa do dumping fiscal”, vincou.

“Várias grandes empresas portuguesas têm a sua sede fiscal na Holanda e pagam os seus impostos na Holanda, e não em Portugal, apesar de a riqueza ser criada aqui. Com o dinheiro que faz falta em Portugal é fácil ser-se poupado. Com o discurso moralista sobre quem é mais poupado, desvia-se o assunto das questões verdadeiramente importantes, nomeadamente o debate sobre a existência de offshores e paraísos fiscais no seio da Europa", continuou a dirigente do Bloco.

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