É preciso apontar o dedo aos governantes que diziam ser impossível receber melhor

19 de March 2022 - 16:56

No comício do Bloco, Miguel Duarte congratulou-se com a resposta europeia e portuguesa das últimas semanas. O ativista português das missões de salvamento no Mediterrâneo quer saber a razão para Portugal só ter acolhido metade dos 500 menores com que se comprometeu há dois anos e que continuam retidos na Grécia.

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Miguel Duarte. Foto Esquerda.net

Numa mensagem enviada ao comício do Bloco de Esquerda pela paz e pelo fim da invasão da Ucrânia, Miguel Duarte destacou que face à atual crise de refugiados, "a Europa tem mostrado uma solidariedade sem precedentes", com mecanismos para agilizar os trâmites burocráticos do acolhimento. E apelou a uma reflexão conjunta na sociedade sobre a forma como a Europa tratou os restantes refugiados.

"Neste momento existem milhares de pessoas em campos de reugiados na Grécia, que esperam anos para ver os seus pedidos de asilo processados" e "nos últimos seis anos a União Europeia tem pago milhares de milhões de euros a países terceiros e a milícias, como é o caso da Líbia, simplesmente para manter os estrangeiros fora das suas fronteiras, sem sequer a possibilidade de pedir asilo", recordou o ativista que participa em missões humanitárias de salvamento no Mediterrâneo.

"Não se compreende o tempo que estes pedidos demoram a ser efetivados nem o reduzido número de pessoas a que eles se dirigem", prosseguiu Miguel Duarte, lembrando que face à tragédia humanitária nas ilhas gregas, em maio de 2020 o ministro Augusto Santos Silva comprometeu-se a receber 500 menores não acompanhados. "Já passaram quase dois anos e ainda não recebemos nem metade. Como é que é possível?", questionou.

A chegada a Portugal de mais de 10 mil refugiados da Ucrânia e o acolhimento exemplar por parte de Portugal contrasta com a situação de tantos imigrantes "que esperam meses e às vezes anos a fio pela regularização dos processos no SEF" quando a mesma instituição criou com tanta eficiência um sistema que permite obter a regularização a estes refugiados.

"Precisamos de aprender com os nossos erros, não para relativizar a dor destes refugiados, mas para apontar o dedo aos nossos governantes que passaram anos a dizer que receber melhor era impossível", sublinhou Miguel Duarte, concluindo com um apelo: "Provámos nos últimos dias que conseguimos acolher refugiados ucranianos com dignidade. Façamos isso com todos os outros".