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“É preciso acabar com a política de racionamento na saúde"

Zuraida Soares afirmou que as alterações ao estatuto político-administrativo dos Açores apresentadas pelo Bloco visam o "aprofundamento da autonomia" e garantem às autoridades regionais a suspensão de processos negociais sempre que estejam em causa interesse vitais da região.

No debate realizado esta sexta-feira na RTP/Açores com Paulo Estêvão, do PPM, a coordenadora bloquista afirmou que a região tem de possuir a capacidade de “suspender” processos negociais que não estejam de acordo com o desenvolvimento e necessidades da região.

 E deu com exemplo as quotas leiteiras que foram vendidas pelo anterior ministro da Agricultura, Jaime Soares, por 500 milhões de euros e que tal não aconteceria se fosse possível usar o nosso “direito de suspensão” para serem apresentadas as nossas razões ao governo da República.

 “Se tal tivesse sido possível o setor leiteiro não estaria como está neste momento”, afirmou a candidata bloquista referindo-se à crise que o setor atravessa.

 Sobre o mar, Zuraida Soares sublinhou que “concessões, privatizações, explorações, prospeções, ou seja, todas as decisões que digam respeito ao mar têm de ter a concordância do governo regional”.

 “Não pode vir para aqui quem o governo da República quiser, seja para investigar, pilhar ou concessionar se o governo regional não aceitar”, sublinhou.

No que diz respeito ao turismo, a coordenadora do Bloco Açores manifestou a sua satisfação pelo crescimento do turismo nos Açores “porque é bem vindo todo o investimento que seja feito na região para criar emprego e gerar riqueza” mas deixou claro que “primeiro é preciso que exista uma estratégia que e nós entendemos que não existe”.

“Ainda não decidimos que tipo de turismo queremos”, afirmou, tendo acrescentado: “ se quisermos um turismo massificado como aquele que existe na Madeira, no Algarve ou nas Canárias, vamos no caminho certo”.

 “Agora se quisermos um turismo de qualidade que crie riqueza para toda a população e não apenas para alguns setores da economia a solução é o ecoturismo”, sublinhou.

 Para Zuraida Soares, "só alguns estão a beneficiar deste boom fantástico que o turismo tem tido na nossa região" se se tiver em conta os salários que são pagos aos trabalhadores.

 “Não preciso de mais argumentos depois de todos os dias lermos e ouvirmos os milhões que estão a entrar nesta região por via do turismo e ainda bem, mas agora trata-se de redistribuir a riqueza que se produz”, disse.

A candidata bloquista reforçou que não há turismo, nem hotelaria, nem restauração, nem trilhos, nem guias sem trabalhadores.

 “Não bastam os empresários, os trabalhadores são essenciais e é preciso ter em conta a sua formação, a sua qualificação e a forma como estão preparados para receber os turistas”, avançou tendo-se referido que “é preciso ter atenção à forma como são pagos”.

 Para a coordenadora bloquista a riqueza que está a ser gerada pelo turismo “está a ir para o bolso de alguns” e por essa razão referiu que a Inspeção Regional do Trabalho deve funcionar para ver se os turnos e as horas extra "estão a ser pagas" e também se há ou não "abuso em relação à forma como estes trabalhadores estão a ser pagos".

Zuraida Soares” afirmou depois que  a região tem de deixar de fazer do salário mínimo regional a “regra absoluta" independentemente das qualificações dos trabalhadores.

"Saúde é prioridade máxima"

Sobre a saúde a candidata bloquista afirmou que é necessário que esta seja uma “prioridade máxima”  e sublinhou que é preciso “desfazer a reestruturação do setor da saúde feita durante esta legislatura”.

“É preciso desfazer o racionamento que foi elaborado durante esta legislatura que tinha como justificação racionalizar os custos com a saúde”, disse, acrescentando que “na realidade esta reestruturação racionou o acesso da população à saúde”.

“Na prática acabou por criar uma saúde para aqueles que tem uma facilidade económica mais desafogada e uma impossibilidade de acesso à saúde para aqueles que têm menos capacidade económica”, afirmou.

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