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É o petróleo, estúpido: EUA e França agora querem a Venezuela

Depois da aproximação de Biden, foi Macron a pedir o regresso da Venezuela ao mercado petrolífero. Mas a Casa Branca quer que a mudança apareça como fazendo parte das negociações de Maduro com a oposição. Artigo de Álvaro Verzi Rangel.
Macron e Biden na reunião do G7 em 2021. Foto Adam Schultz/Casa Branca/Flickr

Em plena crise de fornecimento de energia e aumento dos preços mundiais do petróleo, os Estados Unidos foram forçados a negociar com o governo venezuelano, enquanto a França anunciou que quer petróleo iraniano e venezuelano no mercado. Os preços do petróleo subiram mais de 50% até agora este ano, alimentados pela guerra na Ucrânia e pelas sanções contra a Rússia, o que tem causado preocupação a nível mundial.

O Presidente venezuelano Nicolás Maduro já realizou uma reunião a 5 de Março com uma delegação do governo dos EUA no Palácio Miraflores (sede do governo) em Caracas, onde afirmou que os dois países concordaram em trabalhar numa agenda de interesse comum.

Esta é a segunda aproximação entre Caracas e Washington desde o rompimento das relações diplomáticas em Janeiro de 2019, quando Washington, na sua estratégia de derrubar o governo bolivariano a bem ou a mal, reconheceu o antigo deputado Juan Guaidó como presidente interino da Venezuela e repudiou Maduro. Mas os planos para derrubar o governo constitucional não funcionaram e hoje Washington é forçada a negociar com os representantes legais do país.

Na semana passada, o Departamento do Tesouro dos EUA anunciou a atualização da lista de sanções do Office of Foreign Assets Control (OFAC), na qual confirmou a exclusão de Carlos Malpica Flores, antigo tesoureiro da república (2015). A 17 de maio, o governo de Joe Biden anunciou o levantamento parcial das sanções contra a Venezuela, e autorizou as companhias petrolíferas desse país e da Europa a negociar e reiniciar as operações na nação sul-americana.

Além disso, o Departamento do Tesouro emitiu uma licença limitada para permitir à companhia petrolífera americana Chevron negociar futuras atividades na Venezuela, enquanto que a partir do Castelo de Elmau, na Alemanha, local da reunião do Grupo dos Sete (G7), a França apelou à diversificação das fontes de abastecimento de petróleo bruto no mercado, incluindo o Irão e a Venezuela, para travar as subidas de preços causadas pela guerra na Ucrânia. Ambos os países estão sob sanções dos EUA.

"Precisamos que os países produtores aumentem a produção e forma excecional. Gostaríamos que aumentassem a produção durante o pico da crise, sem afetar a meta da neutralidade carbónica", declarou o Presidente francês Emmanuel Macron.

O Presidente venezuelano Nicolás Maduro saudou o pedido do governo do chefe de Estado francês Emmanuel Macron de reincorporar a Venezuela e o Irão no mercado petrolífero para aumentar a oferta e travar o aumento dos preços dos combustíveis no mundo.

Disse que "a Venezuela está pronta a acolher todas as empresas francesas que queiram vir e produzir petróleo e gás para o mercado europeu" e os analistas do mercado energético observaram que Caracas poderia ser o parceiro que Washington precisa para aliviar algumas das suas atuais dificuldades.

A Responsible Statecraft [revista onlne do Quincy Instititute, um think tank de política externa crítico do domínio norte-americano por via militar] sublinhou que Washington deveria abandonar a interferência nos assuntos internos de Caracas e oferecer um alívio de sanções, "um preço fácil de pagar para estabelecer um intercâmbio comercial de petróleo e gás completo e sólido".

No entanto, Washington propõe que a mudança apareça formalmente como parte das negociações entre governo e oposição, o que atenuaria as reticências dos fatores internos nos EUA, especialmente o poderoso lóbi cubano-estadunidense.

Neste sentido, James Story, o embaixador dos EUA na Venezuela (que está instalado em Bogotá), encontrou-se com o autoproclamado presidente Juan Guaidó, apoiado pela Casa Branca, durante a visita da delegação estadunidense, enquanto outro alto diplomata, Roger Carstens, encetou conversações sobre estadunidenses que estão a ser processados pelos tribunais venezuelanos.


Álvaro Verzi Rangel é sociólogo venezuelano, co-diretor do Observatório sobre Comunicação e Democracia e analista sénior do Centro Latino-Americano de Análise Estratégica (CLAE, www.estrategia.la).  Artigo publicado no site do CLAE e traduzido por Luís Branco para o Esquerda.net.

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