É altura de “parar o empobrecimento dos serviços públicos”

15 de September 2017 - 9:41

Em visita de campanha à Covilhã esta quinta-feira, Catarina Martins abordou os problemas orçamentais da Universidade da Beira Interior e falou da necessidade de mínimos de investimento em Cultura e Ciência.

PARTILHAR
“Temos de crescer na capacidade dos serviços públicos. Mas se não pudermos fazer tudo de uma vez, existe o mínimo da decência do próximo Orçamento do Estado, que é garatir pelo menos o fim da suborçamentação dos serviços públicos”, disse Catarina Martins. Foto de Paulete Matos.
“Temos de crescer na capacidade dos serviços públicos. Mas se não pudermos fazer tudo de uma vez, existe o mínimo da decência do próximo Orçamento do Estado, que é garatir pelo menos o fim da suborçamentação dos serviços públicos”, disse Catarina Martins. Foto de Paulete Matos.

Em visita à Covilhã esta quinta-feira, Catarina Martins relembrou que “há áreas que têm sido pouco faladas onde o investimento público é essencial: Cultura e a Ciência”. Tanto numa como noutra, diz, “ainda não se viu grande diferença” em matéria de Orçamento do Estado.

“A Cultura e a Ciência são pilares do desenvolvimento, da qualificação da população, e da nossa capacidade de criar de forma diferente”, continuou. “E no momento em que vivemos, instável do ponto de vista internacional e inseguro do ponto de vista climático, as questões da qualificação e da capacidade de olhar para vários problemas de forma diferente e responder aos novos problemas e aos novos desafios que se nos põem, torna essencial que tenhamos gerações muito qualificadas capazes de ter respostas inventivas para o nosso futuro. E isso só existe com Cultura e com Educação”, disse. 

Por isso, o reforço orçamental nestas áreas é um “passo tem de ser dado. Já é tempo de termos um Orçamento [do Estado] que dê esse passo essencial”. Como exemplo, falou sobre a Universidade da Beira Interior, há anos submetida a um processo de suborçamentação que agora chegou a um ponto crítico. 

Neste momento, a instituição “tem um défice de 2,3 milhões de euros”, continuou Catarina Martins. “O que significa que todos os anos, passa do Orçamento de Estado para a Universidade menos do que a Universidade precisa para pagar salários. É uma situação impossível. Como é que alguém pode dizer que quer desenvolver o interior, que quer qualificar a população, que quer que jovens cá fiquem, se a Universidade da Beira Interior depois não tem meios para pagar as suas contas. Estas escolhas têm de ser feitas”. 

“Ouvimos o Reitor da instituição dizer que não era capaz de apresentar um orçamento com os parâmetros estabelecidos pelo Governo porque eram tão baixos que não permitiam pagar o que era preciso”. Por isso, afirma, “o que é preciso para que se façam contas certas é que este Orçamento do Estado não se faça desorçamentando as necessidades reais dos serviços públicos das universidades. O que queremos sobretudo é fazer um Orçamento com contas certas de forma a garantir a que passe para as instituições efetivamente o que é necessário para que esses serviços funcionem”, salientou. 

“Temos de crescer na capacidade dos serviços públicos. Mas se não pudermos fazer tudo de uma vez, existe o mínimo da decência do próximo Orçamento do Estado, que é garatir pelo menos o fim da suborçamentação dos serviços públicos”, definiu. E relembrou que “quando fizemos os acordos em novembro de 2015, parámos o empobrecimento” nos salários e pensões. Agora, diz, é altura de “para o empobrecimento dos serviços públicos”.