Durão Barroso quer candidato único do PSD, PS e CDS nas próximas eleições presidenciais

29 de March 2014 - 12:53

Numa entrevista ao jornal Expresso, publicada este sábado, o presidente da Comissão Europeia defende que “o consenso no próximo ciclo em Portugal é fundamental”. “Não queira saber como me sinto orgulhoso quando ouço dizer que Portugal tem sido um grande êxito, tem sido um exemplo”, avançou ainda Durão Barroso.

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Foto de GEORGES BOULOUGOURIS/LUSA

Em declarações ao jornal Expresso, o ex primeiro ministro do PSD frisou que “estes quatro anos vão ser fundamentais”, defendendo um consenso que se traduza numa candidatura presidencial única apoiada pelo PSD, PS e CDS-PP.

“Eu não penso ser candidato a presidente… Mas, como vê, posso ser comentador político… Até parece que se ganha mais…”, afirmou Durão Barroso.

O atual presidente da Comissão Europeia (CE) referiu ainda que “o próximo governo, para ter maioria, vai ter os dois principais partidos e, se calhar, também o CDS”. Não é expectável uma maioria nem do PSD/CDS-PP nem do PS, por isso, Durão Barroso considera que "estes partidos deviam entender-se no essencial e formar, depois, um governo nesse sentido – se, obviamente, não houver uma maioria”. O ex primeiro ministro advogou  ainda que é necessário um consenso não apenas político mas também social, “com as principais centrais sindicais, as confederações patronais, as universidades, com as forças da nossa sociedade”.

Segundo Durão Barroso, “em vez de estarmos a criticar a Alemanha”, devíamos “fazer como a Alemanha fez”, implementando as reformas adotadas por esse país.

Ser visto como “alguém da troika” é algo que “magoa” Durão Barroso

Durão Barroso afirmou, durante esta entrevista, que ser visto como “alguém da troika” é algo que o “magoa” e que a marca principal que deixa do seu mandato é a “resposta à crise”, que considera ser “forte e cheia de iniciativa”.

“Não se pode subestimar o que se fez”, frisou.

O presidente da Comissão Europeia garantiu que ajudou tanto quanto pôde o então governo de José Sócrates que, aliás, “teve a simpatia de reconhecer”. “Ele [José Sócrates] fez tudo para evitar o programa de ajustamento", mas este era inevitável, afirmou Durão Barroso.

Segundo o ex primeiro ministro, “valeram a pena os sacrifícios feitos pelos portugueses, e isso é uma grande vitória do nosso país”.

Confrontado com o facto de o Governo estar a preparar transformar os cortes transitórios em definitivos e com as projeções do presidente da República, que avançou que os portugueses terão de sofrer por mais vinte ou trinta anos, Durão Barroso adiantou que “acha” que não serão tantos anos.

“Reconheço que não há nenhuma família em Portugal que não conheça o drama do desemprego”, referiu, sublinhando, contudo, que “os portugueses também têm de pensar em qual seria a alternativa”.

Questionado sobre a possibilidade da mutualização de parte da dívida e da emissão de eurobonds, Durão Barroso afirmou que as medidas não foram consensuais no seio da UE.

“As instituições europeias estiveram, e estão, ao lado de Portugal e dos portugueses. Ao mesmo tempo também é importante que Portugal – e isso é que eu acho que às vezes falta no nosso país – não peça só a solidariedade dos outros e pense também na responsabilidade própria”, avançou o presidente da CE.

“Não queira saber como me sinto orgulhoso quando ouço dizer que Portugal tem sido um grande êxito, tem sido um exemplo”, frisou Durão Barroso.

Referindo-se ao manifesto "Preparar a reestruturação da dívida para crescer sustentadamente", subscrito por 70 personalidades, entre as quais Francisco Louçã, João Cravinho, António Sampaio da Nóvoa, Boaventura Sousa Santos, José Reis, e também Manuela Ferreira Leite, Bagão Félix e Adriano Moreira, Durão Barroso advogou que “algumas personalidades" têm "o objetivo de embaraçar o Governo, num jogo político”.

“Esse manifesto comete um erro gravíssimo: é a palavra ‘reestruturação’. Essa é a palavra que Portugal não pode pronunciar”, enfatizou o presidente da CE.