You are here

Draghi volta a cortar taxas de juro e exige “estímulos orçamentais”

O BCE cortou as taxas de depósitos, estando estas agora em valor negativo: 0,5%. Ao mesmo tempo, lança um novo plano de compras de dívida nos mercados, numa decisão que não foi a votos.
Draghi volta a cortar taxas de juro e exige “estímulos orçamentais”
Foto: BCE/Flickr.

O Banco Central Europeu voltou a anunciar mais um corte na taxa de juro dos depósitos em 10 pontos, ficando estas agora em 0,5%. Ao mesmo tempo, lançou um novo plano de compra de dívida nos mercados a um ritmo de 20 mil milhões por mês.

Esta iniciativa não foi submetida a votação no Conselho do BCE. Numa das suas últimas reuniões à frente do Banco Central Europeu, Mario Draghi justificou a ausência de votação com a existência de uma “maioria tão significativa” que não faria sentido.

Porém, soube-se depois que tal não correspondia à verdade, uma vez que ficaram de fora os membros que nos últimos dias expressaram em público a sua discordância. Segundo a revista Bloomberg, Francois Villeroy, governador do Banco Central francês, esteve ao lado dos representantes dos bancos da Alemanha e Holanda, ao considerar que era demasiado cedo para fazer regressar o programa de compra de ativos em mercado. 

Em comunicado lançado pouco após a reunião, o BCE afirma que as taxas de juro irão manter-se nestes níveis, podendo até chegar a níveis “mais baixos”, até que as expectativas de inflação “convirjam de forma mais robusta” com a meta do banco: “abaixo, mas perto de 2%”. 

O Banco Central Europeu fez ainda saber que as compras de dívida são para continuar “enquanto forem necessárias” para “reforçar o impacto acomodatício” das taxas de juro — além disso, informam este novo programa de compras de dívida deverá terminar “pouco tempo antes de o BCE começar a subir as taxas de juro”.

Ao mesmo tempo, foi anunciada a introdução de um sistema segmentado de forma a procurar mitigar o impacto desta decisão sobre os bancos - para “apoiar a transmissão da política monetária”, diz o BCE. Este sistema segmentado seria aplicado apenas a partir de determinado valor e não sobre todas as reservas dos bancos. 

O corte na taxa de juro é relativo à taxa dos depósitos: aquela que define quanto é que os bancos recebem quando “estacionam” os seus excessos de liquidez no Banco Central Europeu. Uma vez que esta taxa está num valor negativo, o,5%, os bancos terão de pagar ao invés de receber. Estando em 0,5%, prevê-se uma tendência de redução das várias taxas de mercado, desde a Euribor às taxas de juro das dívidas de vários países. 

Mario Draghi anunciou igualmente ontem a revisão em baixa das previsões de crescimento da zona euro: as novas projeções são de 1,1% para 2019 e 1,2% para 2020 (eram respetivamente de 1,2% e 1,4%). 

Termos relacionados Internacional
(...)