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Dragão-de-komodo em risco de extinção

As alterações climáticas ameaçam de extinção cada vez mais espécies. Desta vez, é o caso do dragão-de komodo que passou a constar da lista de espécies ameaçadas da União Internacional para a Conservação da Natureza, cujo congresso mundial está a decorrer.
Dragão-de-komodo – licença CC BY-SA 3.0, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=529977
Dragão-de-komodo – licença CC BY-SA 3.0, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=529977

A chamada “lista vermelha das espécies” (espécies ameaçadas de extinção) foi atualizada pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês), cujo Congresso mundial está a decorrer em Marselha na França.

A Lusa aponta que na atualização da “lista vermelha” é também referido que a sobrepesca de tubarões está a criar uma ameaça à espécie, podendo levar à perda de um terço do número atual destes animais na Terra.

Atualmente, estão listadas 138.374 espécies, das quais mais de um quarto 38.543 (28%) estão classificadas nas várias categorias de “ameaçadas”.

Bruno Oberle, diretor-geral da IU N, afirmou em comunicado: “Estas avaliações da ‘lista vermelha’ demonstram como as nossas vidas e meios de subsistência estão intimamente ligados à biodiversidade”.

O congresso da IUCN é uma oportunidade de se multiplicarem as mensagens sobre a ligação entre o colapso em curso da biodiversidade e as condições de vida dos humanos no planeta, também ameaçados pelas mudanças climáticas.

Dragão-de-komodo ameaçado pelo aquecimento global e pela atividade humana

O dragão-de-komodo, considerado o maior lagarto do mundo, sobrevive sobretudo num conjunto de ilhas indonésias com a ajuda, em algumas das regiões, de um parque nacional, ilustra a ligação entre estes dois processos, enfatiza a IUCN.

“O aumento da temperatura e, portanto, do nível do mar deve reduzir o seu habitat em pelo menos 30% nos próximos 45 anos”, alerta a IUCN, acrescentando que “embora os dragões-de-komodo presentes no parque nacional [indonésio] estejam bem protegidos, os que vivem fora estão em risco de perder parte significativa do seu habitat devido às atividades humanas”.

As condições de vida do dragão-de-komodo, que chega a ter três metros de comprimento e a pesar cerca de 90 Kg, estão ameaçadas tanto pelo aquecimento global como pela atividade humana.

Tubarões e raias também sob ameaça

Tubarões e raias, que fazem parte da mesma família, também estão ameaçados, refere a IUCN, salientando que 37% das 1.200 espécies estudadas agora estão ameaçadas.

“Muitos tubarões e raias estão a ser mortos e as medidas contra a sobrepesca são lamentavelmente inadequadas”, havendo uma exploração “muitas vezes legal mesmo que não sustentável”, explicou Nick Dulvy, da universidade canadiana Simon Fraser, autor do estudo no qual esta reavaliação se baseia.

Todas as espécies assim classificadas enfrentam as consequências da sobrepesca, mas 31% são também confrontadas com a degradação ou perda do seu habitat e 10% com as consequências das mudanças climáticas, referiu a IUCN.

Melhoria no atum devido à imposição de quotas pesqueiras regionais

A IUCN congratulou-se pelo facto de “quatro espécies de atum pescado comercialmente terem recuperado [da ameaça], graças à imposição de quotas pesqueiras regionais”, desenvolvidas por organizações específicas. Das sete espécies mais pescadas, quatro viram a sua classificação de risco descer na “lista vermelha”.

O atum rabilho do Atlântico até deu “uma reviravolta dramática”, passando diretamente de “em perigo” para “pouco preocupante”, o que significa ter saltado três categorias.

Ainda assim, a organização adverte que “apesar de uma melhoria geral, muitos dos abastecimentos regionais de atum continuam esgotados”.

“Estas avaliações são a prova de que as abordagens de pesca sustentável funcionam, com enormes benefícios, a longo prazo, para a atividade económica e a biodiversidade”, sublinhou Bruce Collette, presidente do Painel do Atum da IUCN.

Próximos de sexta extinção em massa”

A IUCN apresentou também o seu novo “Estado Verde das Espécies”, que pretende medir a regeneração das espécies e conhecer o impacto dos programas de conservação.

Esta avaliação inclui 181 espécies, número que está muito longe da “lista vermelha”.

Craig Hilton-Taylor, responsável por esta avaliação, afirma que apesar de alguns sucessos, a nova “lista vermelha” mostra que “estamos muito próximos de uma sexta extinção em massa”, acrescentando que “se o aumento das ameaças continuar ao ritmo atual, em breve iremos enfrentar uma grande crise”.

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