Em 2018, o grupo Dia registou prejuízos de 352,6 milhões de euros, face aos 101,2 milhões de euros de lucros registados em 2017. As vendas brutas do grupo fixaram-se nos 9.390 milhões de euros, menos 14,9% face ao ano anterior. Este registo surge após os negócios da Clarel e Max Descuento terem sido descontinuados e tem em conta o impacto cambial da depreciação do peso argentino e do real brasileiro. Sem este efeito, as vendas retrocederam 0,9%.
Mediante a quebra dos resultados e das vendas, os capitais próprios entraram em terreno negativo, menos 166 milhões de euros, no mesmo período, A dívida líquida do Dia ascendeu aos 1,452 milhões de euros, mais 506 milhões do que no final de 2017. De acordo com o grupo, tal deve-se “ao empobrecimento do capital vinculante derivado da redução do prazo de pagamento a fornecedores”.
O EBITDA (lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado do grupo foi de 30,1 milhões de euros, menos 28,7% em termos homólogos.
Em Portugal, o Dia fechou o ano com um número total de vendas brutas no valor de 808,4 milhões de euros, o que equivale a uma quebra de 3,1% em relação ao período homólogo.
Segundo os dados enviados esta sexta-feira à Comissão Nacional do Mercado de Valores, em 2018, o número de lojas registadas no país foi de 532: 223 próprias e 309 em modelo franchising. Desde 2016, foram encerradas 27 lojas.
De acordo com Borja de la Cierva Álvarez de Sotomayor, conselheiro delegado do Dia, 2018 foi “provavelmente o mais difícil desde a fundação da empresa há mais de 40 anos”. “Os números apresentados e, em particular, os resultados de 2018, são um claro indicador de que o nosso desempenho não alcançou as expectativas”, afirmou o responsável, em comunicado.
Para o período de 2018-2023, o grupo propõe-se a garantir o crescimento de um dígito médio em vendas, melhorar o EBITDA a partir de 2020 e manter um “investimento contido” em 2019, para recuperar os níveis já no próximo ano. O Dia irá ainda transformar a oferta comercial lançar um novo formato de loja.
Neste processo, a cadeia espanhola Dia, dona dos supermercados Minipreço e da rede de drogarias Clarel em Portugal, vai despedir 2.100 trabalhadores e trabalhadoras nas lojas de Espanha, Portugal, Argentina e Brasil. No final de 2018, trabalhavam diretamente para o grupo 40.384 pessoas, face a 41.554 no ano anterior. Segundo o Dia, o objetivo é "garantir a sustentabilidade futura da empresa e reforçar a posição global".
Nos últimos dias, o fundo Letterone, controlado pelo magnata russo Mikhail Fridman, que detém 29% do capital da empresa, anunciou uma Oferta Pública de Aquisição (OPA) sobre o DIA oferecendo 67 cêntimos por cada ação. Caso esta operação seja levada a cabo, o investidor russo pretende avançar com um aumento de capital de 500 milhões de euros e retirar o grupo da bolsa.