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Dois terços das famílias têm dificuldade em suportar despesas do dia-a-dia

Mais de um quarto dos agregados que a Deco Proteste inquiriu sofreu cortes no seu rendimento iguais ou superiores a 25% em contexto pandémico. Estas quebras são justificadas “pela perda de emprego, a inatividade profissional e a redução salarial”.
Foto de Pxhere.

A organização de defesa do consumidor auscultou 4.690 agregados familiares. Dessa consulta, pôde concluir que, em Portugal, duas em cada três famílias têm dificuldades em suportar despesas do dia-a-dia. O estudo revela ainda que mais de um quarto dos agregados afirmou que os seus rendimentos sofreram cortes iguais ou superiores a 25% em contexto pandémico.

“É seguro dizer que estas famílias integram o patamar dos 63% que passam dificuldades financeiras e dos 6% que enfrentam uma situação crítica. Estas quebras de rendimento são explicadas pela perda de emprego, a inatividade profissional e a redução salarial”, avançou Bruno Santos, Public Affairs da Deco Proteste, citado pel’ O Jornal Económico.

Os restantes 31% dos agregados inquiridos situam-se no “campo de conforto financeiro”. Não têm dificuldade em pagar as contas do mês. Mas também não têm grandes gastos posteriores.

A Deco alerta que 2021 poderá trazer um agravamento da situação, com a crise social e económica a agravar-se.

Vila Real (82%), Aveiro (79%), Setúbal e Leiria (na casa dos 70%) e Porto (67%) são os distritos onde as famílias passam mais dificuldades.

Já no que se refere ao tipo de despesas que as famílias assinalam como as mais difíceis de custear, verifica-se que as despesas de lazer lideram nas regiões Norte, Centro e Lisboa e Vale do Tejo. Em segundo lugar surgem as despesas com a saúde. Este peso é mais sentido no Centro (42% de dificuldade no pagamento) do que no Norte (32%). Os custos com a alimentação e educação causam mais dificuldades às populações do Norte e Centro.

O Algarve e a Região Autónoma da Madeira registaram o maior impacto nos rendimentos. Mais de 40% dos inquiridos assinalaram uma queda de mais de 25%. No distrito de Faro 80% das famílias sentiu dificuldades financeiras. O estudo aponta que 76% dos agregados de Évora reportou dificuldades financeiras. Nos Açores a percentagem foi de 75%.

Na região algarvia, as despesas com a habitação assumem maior relevância (53%). A percentagem desce para 34% em Lisboa e Vale do Tejo. É também no Algarve (46%) e nos Açores (43%), que os custos com o lazer exercem mais pressão. Na Madeira, fixam-se nos 30%. Na Região Autónoma da Madeira a saúde assume-se como a despesa mais problemática. No resto das zonas é a habitação que tem preponderância.

É de assinalar que as despesas mais difíceis de enfrentar, com exceção de Lisboa e Vale do Tejo, são os equipamentos afetos ao ensino à distância.

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