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Dois terços da indústria têxtil em lay-off, sindicatos criticam abusos

Em maio poderão ser 75% as empresas de vestuário que estarão numa de várias formas de lay-off. Sindicatos dizem que patrões ganharam milhões, mas face às dificuldades não aplicam os lucros.
Máquina de tecelagem. Foto de: medyamen2/Pixabay.
Máquina de tecelagem. Foto de: medyamen2/Pixabay.

Um inquérito da entidade patronal do setor têxtil, a Associação Têxtil e Vestuário de Portugal, junto de 150 empresas mostra que, de momento, 96 destas, 65% do total, estão numa de várias formas de lay-off. De entre as que não se encontram neste regime, 30% ponderam aderir nos próximos tempos, o que poderá elevar o total para 74,6%.

Segundo os dados recolhidos pela associação patronal, 20% das empresas estão em lay-off total, 19% reduziram o período de trabalho e 25% reduziram o número de trabalhadores a laborar.

Mário Jorge Machado, o dirigente da estrutura, diz que a aposta agora será na produção de “máscaras sociais” para “ajudar a salvar a economia, nacional e europeia”. Estas terão de ter os requisitos de segurança validados pelo Infarmed e Direção-Geral da Saúde. A estrutura de que a ATP faz parte a nível europeu, a Euratex, Federação Europeia do Têxtil, pediu à Comissão Europeia que recomende aos Estados membros esta medida, diz o dirigente associativa ao Diário de Notícias.

Os patrões do têxtil defendem que, nos concursos públicos que venham a ser feitos para a produção de máscaras, o protecionismo seja aplicado com uma quota de pelo menos metade para o “fabrico europeu”.

Sindicato denuncia abusos

A FESETE, federação sindical do setor têxtil, vestuário e calçado, tem uma visão diferente sobre o que está a acontecer nesta indústria. Numa mensagem publicada esta sexta-feira, Isabel Tavares, coordenadora da direção, fala num “momento difícil” para os trabalhadores e denuncia que “muitas empresas” quando confrontadas com a pandemia “partiram para o ataque aos direitos e aos rendimentos dos trabalhadores”. Houve empresas que “tomaram como primeira iniciativa despedir os trabalhadores das empresas de trabalho temporário”, “não renovar contratos a termo” e “antecipar o gozo de férias”.

Também a interpretação do lay-off é distinta. A federação sindical sublinha este foi “um setor que cresceu nas últimas décadas, que arrecadou milhares de lucros” e que a primeira receita que aplica, face às dificuldades, é recorrem a um sistema que coloca “milhares de trabalhadores com perda de rendimentos em casa”. Isabel Tavares, diz que este é o caminho contrário do que deveria ser seguido: as empresas deveriam “aplicar os lucros para agora colmatar estas dificuldades.”

 

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