Segundo o Expresso, o Ministério Público de Évora acusou os dois indivíduos, que são irmãos e naturais do leste europeu, do crime de tráfico de pessoas e propôs a sua expulsão do território nacional.
Os dois acusados aliciavam pessoas do mesmo país, com difícil situação económica, a quem prometiam trabalho em Portugal na agricultura. Depois, transportavam esses trabalhadores para o Baixo Alentejo, levavam-nos para trabalharem em herdades e alojavam-nos em locais sobrelotados.
"Tendo contratado a prestação de trabalho com os proprietários das herdades, angariavam, controlavam e exploravam os estrangeiros, visando obter elevados lucros financeiros com essa atividade, a despeito dos direitos dos trabalhadores", refere o SEF, que detetou e investigou o caso.
"Em inúmeros casos, perante o protesto dos trabalhadores, estes foram ameaçados pelos arguidos, agredidos fisicamente e expulsos das habitações, tendo sido deixados sem alojamento e sem alimentação", acrescenta o SEF.
Os dois indivíduos serviam, pois, de intermediários entre os patrões das herdades e os trabalhadores, não celebravam contratos de trabalho e mantinham-nos a trabalhar em condições desumanas.
Os trabalhadores também não recebiam horas extraordinárias, subsídios de férias e natal, assim como não tinham direito a férias remuneradas. "Descontavam-lhes do vencimento acordado o pagamento das rendas das casas onde pernoitavam, o transporte para os locais de trabalho, assim como despesas com alimentação, água, luz e gás".
Parece pouco provável que os senhores destes negócios na agricultura, que grassam pelo Baixo Alentejo, não soubessem desta situação de escravatura laboral.