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DN e TSF entram em lay-off a partir de segunda-feira

Outros orgãos de comunicação do Global Media Group, como o JN e o Jogo, também adotam este regime. Diretor e diretora executiva do DN demitiram-se em discordância com as medidas tomadas para o jornal. Há uma semana, o Bloco apresentou proposta de apoio ao jornalismo e aos media.
O Global Media Group, que detém o “Diário de Notícias”, o “Jornal de Notícias”, a TSF e “O Jogo”, é presidido por Daniel Proença de Carvalho – foto de Miguel A. Lopes/Lusa (arquivo)
O Global Media Group, que detém o “Diário de Notícias”, o “Jornal de Notícias”, a TSF e “O Jogo”, é presidido por Daniel Proença de Carvalho – foto de Miguel A. Lopes/Lusa (arquivo)

Segundo o Observador, todos os trabalhadores do Diário de Notícias entrarão em lay-off, a partir de segunda-feira, na modalidade de redução de horário. Esta modalidade, prevista no lay-off simplificado, será diferente segundo os escalões de rendimento ou a função.

Na TSF, todos os trabalhadores terão um corte de 25% nas horas trabalhadas e no vencimento, independentemente de salário e função.

Os restantes órgãos do Global Media Group (GMG), como o Jornal de Notícias e O Jogo, também entrarão em lay-off. Segundo o Público, os cortes para os trabalhadores de O Jogo serão de cerca de 33%, em média.

Demissão de diretor e diretora executiva do Diário de Notícias

Ferreira Fernandes e Catarina Carvalho, diretor e diretora executiva do DN, demitiram-se esta semana dos cargos de direção no jornal e a administração nomeou o subdiretor Leonídio Paulo Ferreira para diretor interino.

Segundo o Público, Ferreira Fernandes escreveu uma carta à redação do DN, onde afirma que a sua direcção foi informada “pela administração que a crise da covid-19 vai levar o grupo GMG a medidas em que a redacção do DN está entre as mais atingidas”. Por isso, o diretor e a diretora executiva consideraram que “não podem continuar na direção” do jornal.

Ferreira Fernandes referiu ainda, segundo a mesma fonte, que a administração procura aplicar uma “reestruturação que, na prática, significava cortes na redacção”, o que a direção do DN “não aceitava” sem estar integrada “num plano do que fazer com o DN”.

A GMG teve em 2018 prejuízos de 9,1 milhões de euros, um agravamento face aos 4,5 milhões de euros de 2017.

Proposta bloquista de apoio à comunicação social

Há uma semana, o deputado Jorge Costa apresentou, em artigo publicado no esquerda.net, um pacote de apoio de emergência à comunicação social, que apontava para um “apoio de 15 milhões para maio, junho e julho”, considerando que “a crise económica e a queda da publicidade pode silenciar boa parte da comunicação social”.

No artigo, onde se concretizava a proposta, sublinhava-se que esse apoio tem um “objetivo de interesse público”, que é “a manutenção da capacidade jornalística dos meios de comunicação social e da pluralidade na produção de informação enquanto bem comum”.

Apontava-se ainda que, no caso das empresas de rádio e televisão, as verbas serão distribuídas “na proporção do respetivo número de jornalistas com contrato efetivo” e eram apresentados “modelos de apoio específicos”, a serem estudados, para a imprensa desportiva, regional e local.

“Em tempos de crise, o jornalismo é sempre uma das primeiras vítimas. Mas é nestes tempos que a democracia mais precisa do seu exercício por profissionais cujos direitos são respeitados”, concluía Jorge Costa.

Sindicato dos Jornalistas reivindica apoios a médio e longo prazo para o setor

Em artigo publicado esta sexta-feira, 17 de abril, no seu site, o Sindicato dos Jornalistas considera positivos mas insuficientes os apoios ao setor da comunicação social devulgados pelo Governo.

O executivo anunciou a compra antecipada de publicidade institucional no montante de 15 milhões de euros, sendo 75% para os órgãos nacionais e 25% para os locais, o que o sindicato saúda, assim como o facto de Literacia para os Media estar entre os temas das campanhas institucionais, englobadas nesse pacote.

O sindicato frisa, porém, que são necessárias “medidas de médio e longo prazo para responder a uma crise estrutural, agora agravada com o contexto da pandemia de covid-19” e manifesta a sua disponibilidade para continuar a dialogar com o ministério da Cultura, nomeadamente com o secretário de Estado do Cinema, Audiovisual e Media.

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