Dirigentes estudantis da crise de 69 homenageados pela Académica de Coimbra

10 de April 2019 - 15:34

A última reunião da Assembleia Magna da Associação Académica de Coimbra foi unânime. Os membros da direção de 1969 passam a ser sócios honorários por defenderem “uma sociedade democrática, universal, igual, não sujeita à determinação autoritária” e promoverem os Direitos Humanos”.

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Faz 50 anos que os estudantes da Associação Académica de Coimbra enfrentaram a ditadura. O episódio ficou conhecido como a “crise académica” e começou a 17 de abril quando o dirigente estudantil Alberto Martins pediu para falar durante a inauguração do edifício do Departamento de Matemática. Presentes na cerimónia estavam altas figuras do regime: Américo Thomaz, o presidente da República e José Hermano Saraiva, o ministro da Educação.

A ditadura não estava interessada no que os estudantes teriam para dizer. Assim, o presidente não lhe deu a palavra e Alberto Martins seria mesmo detido na sequência do episódio. Começava então um braço de ferro. As armas do lado da ditadura foram as suspensões, prisões e incorporações para a Guerra Colonial. As armas estudantis foram a declaração de luto académico, uma carta à nação, a presença simbólica na final da taça de Portugal de futebol no Estádio Nacional, manifestações e greve aos exames. Pelo lado do regime, Hermano Saraiva justificava as medidas repressivas dizendo estar a tentar parar uma “onda de anarquia”.

Passados 50 anos é altura de prestar homenagem a quem teve coragem de lutar. Na segunda-feira, os estudantes de Coimbra reuniram em Assembleia Magna com um ponto único na ordem de trabalhos: aprovar a atribuição do estatuto de sócio honorário da Associação Académica de Coimbra aos 26

membros da direção-geral que participaram na crise académica. O resultado foi significativo: 453 votos a favor, zero abstenções, zero votos contra.

Na moção aprovada pode ler-se: “hoje agradecemos às mãos generosas que nos libertaram e ao vento amigo que nos devolveu a liberdade. Nem foram mãos desconhecidas, nem foi um vento distante. Estes homens e mulheres que aqui homenageamos são essas mãos. Eles tomaram em si a responsabilidade, e devemos-lhe agora o reconhecimento.” Reconhece-se ainda aos antigos dirigentes académico terem sido “a personificação dos princípios da Associação Académica de Coimbra na defesa uma sociedade democrática, universal, igual, não sujeita à determinação autoritária, e na promoção dos Direitos Humanos”.