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Dieselgate: nenhuma marca cumpre limites de poluição

No primeiro aniversário do escândalo da manipulação de emissões poluentes nos carros a diesel da Volkswagen, um estudo europeu revela que nenhuma marca cumpre os limites mais recentes em vigor na Europa. Hoje circulam na Europa 29 milhões de carros a diesel a poluir acima do limite, dos quais 376 mil em Portugal.
Capa do estudo publicado esta segunda-feira pela rede de ONG Transport & Environment.

O estudo “Dieselgate: Quem? O quê? Como?” foi elaborado pela rede de ONG Transport & Environment, que defende uma política de transporte baseada nos princípios do desenvolvimento sustentável, para assinalar o primeiro aniversário do escândalo que abalou a Volkswagen, ao ser revelado o esquema de manipulação das emissões nos seus veículos a diesel.

A principal conclusão do estudo evidencia o total fracasso dos reguladores nacionais no que toca à fiscalização das emissões poluentes nestes veículos. O estudo conclui que 4 em cada 5 veículos vendidos entre 2010 e 2014, cujos testes em laboratório garantem o cumprimento da norma Euro 5 (emissões até 180gr/1000kms), produzem na realidade mais do triplo deste valor em condução em estrada. E dois terços dos veículos que supostamente cumprem a norma Euro 6, vendidos sobretudo na Alemanha, França Itália e Reino Unido desde o ano passado, emitem mais do triplo do limite (80gr/1000kms).

Para além da crítica à falta de fiscalização dos Estados nacionais, o estudo aponta ainda a postura das autoridades europeias, que não penalizaram a empresa nem compensaram os consumidores, em contraste com a celeridade da justiça norteamericana.

“O falhanço em penalizar a VW na Europa é a ponta do iceberg do Dieselgate, em que se estima que existam 29 milhões de veículos modernos altamente poluidores em circulação, um número que ainda está a aumentar”, aponta o estudo.

Quercus e Zero defendem medidas para acabar com manipulação de emissões

Em Portugal, a associação Quercus, que é membro efetivo e presidente da direção da Transport & Environment, reagiu a esta publicação, destacando que um ano após rebentar o escândalo da manipulação de emissões, a Volkswagen "está atualmente a vender, na Europa, os veículos a gasóleo menos poluentes”, enquanto todos os outros fabricantes estão em incumprimento da norma Euro 6.

“A violação da regulamentação ambiental por parte dos fabricantes de automóveis pode ter consequências para a saúde pública e causar mesmo mortes prematuras”, aponta ainda a associação ambientalista, lembrando que em 2012, as emissões de dióxido de azoto foram responsáveis por 72 mil mortes prematuras na Europa, 470 das quais em Portugal.

A Quercus defende ainda a criação urgente "de um observatório europeu independente que vigie a ação das entidades reguladoras dos vários Estados-membros e assegure que o mercado único de veículos acautela o melhor interesse e a defesa da saúde de todos os cidadãos".

Também a associação Zero reagiu à publicação deste estudo, defendendo que “os limites de emissão de veículos a gasóleo e gasolina deveriam ser equivalentes”. Para Francisco Ferreira, devem ser aplicadas leis para impedir a instalação de dispositivos que manipulam as emissões, através de uma revisão extraordinária dos veículos em causa. Uma medida que deve ser acompanhada do aumento das zonas de emissões reduzidas nas cidades e mais testes para a indústria automóvel e maior diferenciação nos impostos pagos pelos veículos menos poluentes.

Termos relacionados Escândalo Volkswagen, Ambiente
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